O futuro do jornal impresso.
[info]liliamarcondes

  Essa é uma questão que frequentemente perturba a mente de nós, comunicadores, seguida de uma interrogação alarmante. Haverá um futuro para os jornais impressos?

 Com tamanha preocupação e dúvida, nosso colega Ricardo Noblat, escreveu um livro que trata exatamente sobre essa questão: “A arte de fazer um jornal diário”.

 O livro, na realidade, é uma súplica; uma manifestação do jornalismo comprometido com a veracidade dos acontecimentos e as diversas maneiras de se abordar situações cotidianas, para o sensacionalismo e ao descaso que vêm dominando nossos atuais jornais e meios de comunicação em geral.

 Ao mesmo tempo em que a leitura é agradável e o texto repleto de bom humor, o livro aborda assuntos muito importantes e, com seriedade, dá dicas para quem pretende ser um comunicador de excelência.

 É preocupante, no entanto, a situação atual dos jornais impressos. Diversos fatores vêm contribuindo para que, a cada dia, o número de pessoas interessadas nos mesmos, diminua.

 A queda nas participações dos jornais no bolo publicitário e o preço inacessível para muitos, uma vez que estamos num país onde um grande número da população vive abaixo da linha da pobreza, são fatores que não podem ser ignorados.

 Além disso, temos também a péssima mania dos jornais de “bater sempre na mesma tecla”, abordando temas repetidamente e, sendo assim, tirando o interesse do leitor.

 Melhorar o quesito “visual” dos impressos não seria de todo ruim, inclusive. São inúmeras as reclamações a respeito de seu tamanho, sua distribuição, o papel do qual é feito, a famosa “tinta que sai na mão” e a eterna dificuldade em abrir e fechar os cadernos, com suas enormes e desengonçadas folhas.

 Todavia, o grande rival dos jornais impressos não consta nos tópicos abordados acima. Com uma força avassaladora e praticamente invencível, a internet é a comunicação bi- direcional que se faz presente nos piores pesadelos dos comunicadores.

 Com a era da digitalização e da cibercultura, a interconexão tomou conta do pedaço. Com múltiplas colaborações e o foco no interesse do internauta, a internet consegue ser a favorita, sempre.

 Sua capacidade de memória e armazenamento, a agilidade e a rapidez com que conseguimos pesquisar assuntos de nosso interesse, a quantidade infinita de informações encontradas e, até mesmo, as etapas que podem ser ignoradas ao se postar um texto, uma matéria ou um comentário na rede, fazem desse grande novo meio de comunicação, um objeto extremamente sedutor.

 O modelo unilateral tradicional entre o emissor e o receptor faz parte do passado. Com isso, temos que nos esforçar para que os jornais impressos não sejam extintos ou ignorados e, para isso, temos que fazer nosso melhor.

 O sucesso virá com nossas habilidades e esforços incessantes, com a prática da escrita e, principalmente, com nosso empenho em relação à nossa gramática e suas novas regras.

 Outro fator importante é a apuração dos fatos, sempre. Em qualquer situação, precisamos checar a fonte. Ter certeza daquilo que vamos transformar em texto público, para não corrermos riscos de distorcer a realidade ou mentir a respeito de algo. Temos isso a nosso favor. Afinal de contas, a internet com sua necessidade de rapidez, acaba cometendo inúmeros erros de toda e qualquer espécie.

 Ver e ouvir o óbvio não nos ajudará a nos destacarmos do restante dos jornalistas e deixar com que as pessoas possam interpretar fatos ou tirar conclusões por si próprias, também não é o ideal.

 Percamos o medo do fato real. Percamos a arrogância de achar que sabemos tudo sempre.

 Preocupemos-nos mais com a arte do jornalismo diário !!!

 


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