O curta-metragem dirigido por Jorge Furtado em 1989, é um ácido retrato da mecânica da sociedade de consumo.
Acompanhando a trajetória de um simples tomate, desde sua plantação até ser jogado fora, “Ilha das Flores” escancara o processo de geração de riqueza e as desigualdades que surgem no meio do caminho.
Isso fica claro, após tantas repetições de como o homem é dotado de inteligência e outras características físicas que o tornariam mais desenvolvidos e até mesmo superiores aos outros seres vivos do planeta Terra e de repente o telespectador se depara com uma terrível mostra de “falta de inteligência” ou humanidade.
O tomate, que inicialmente é plantado, comprado e descartado, se encontra em meio a toneladas de lixo orgânico. Restos que não foram utilizados ou que simplesmente não podiam ter sido utilizados devido a seu estado de decomposição.
Todo esse lixo é servido a porcos não dotados de inteligência e após os animais se fartarem, é então a vez de seres humanos escolherem quais restos de comida comerão para sobreviver. Sim, é um choque, um ultraje, uma aberração!
E assim, se vê na telinha a desumanidade que toma conta cada vez mais dos homens. O que levaria alguém a alimentar animais antes de alimentar mulheres, crianças, idosos? A tão desprezível “falta de riqueza” que domina o coração da sociedade em que vivemos.
No entanto, o curta de 13 minutos é excelente e não pode passar batido. Com diversos prêmios mundiais, como Urso de Prata no Festival de Berlim de 1990 e Prêmio do Público na Competição "No Budget" no Festival de Hamburgo de 1991, é com todo mérito, considerado a obra máxima do neo-ultra-violentismo brasileiro. E dessa vez, nem os católicos apostólicos romanos possuidores de polegares opositores poderão dizer o contrário.
