A cura sobre quatro patas.
Equoterapia: suas repercussões no tratamento de deficiências diversas e sua contribuição para a medicina alternativa.
A equoterapia ou hipoterapia é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar com o intuito de desenvolver biopsicossocialmente pessoas portadoras de algum tipo de deficiência.
O cavalo é usado como forma de terapia desde 400 A.C., quando Hipócrates utilizou-se do animal para "regenerar a saúde" de seus pacientes.Nos anos 70 a ANDE (Associação Nacional de Equoterapia) foi fundada no Brasil, mas somente em 1997, a equoterapia foi reconhecida como método terapêutico pela Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitacional e pelo Conselho Federal de Medicina.
Segundo a fisioterapeuta Samira Alves, que também pratica a equoterapia por motivos emocionais e não vive mais sem andar a cavalo, a escolha do animal é um dos principais itens para o método ser bem sucedido. “Tem que ser um animal dócil, de porte pequeno ou médio e, de preferência, idoso. Além disso, o animal não pode ser assustado ou ter vícios negativos, como querer voltar para a baia ou não gostar da presença de outros animais.”.
A equoterapia é baseada na prática de atividades eqüestres e técnicas de equitação, sendo um tratamento complementar na recuperação e reeducação motora e mental de crianças, jovens, adultos e idosos, além de proporcionar benefícios educativos e sociais. Durante as aulas, os pacientes cantam canções, aprendem técnicas de equilíbrio sobre o animal, usam bolas de fisioterapia para estimular a atividade cerebral e têm contato verbal entre si para desenvolver a fala e noções de sociabilidade.
Para a veterinária Priscila Toinaki, há 7 anos na área de animais de grande porte, o cavalo é essencial no tratamento de certas doenças, como paralisia cerebral, acidentes vasculares encefálicos, esclerose múltipla, disfunção na integração social e até mesmo atrasos do desenvolvimento psicomotor. “Os eqüinos têm movimentos que são similares aos padrões de movimento humano e que se encontram alterados nas pessoas com problemas motores. Além do fato de que a convivência com animais em geral é comprovadamente eficaz na recuperação psicológica de todo e qualquer ser humano.”
A equipe responsável por um trabalho de excelência em equoterapia deve ser composta por diversos profissionais em áreas diversas e um local adequado para a prática da equitação é extremamente importante para a segurança dos pacientes. No local, é obrigatória a presença de fisioterapeutas, psicólogos, médicos, pedagogos, professores de educação física, instrutores de equitação, auxiliares-guia e um tratador para manter a saúde dos animais em perfeitas condições.
Na hípica onde mantem seu cavalo há 6 anos, Maria Luiza, estudante do 4º ano de medicina veterinária, acompanha de perto as aulas de equoterapia realizadas no local e a evolução de cada paciente, em sua maioria crianças de 3 a 9 anos. “ Percebo que a equoterapia funciona como um feedback positivo para a família em relação ao seu investimento. Já vi casos de interação social surpreendentes e crianças que mal abriam os olhos e hoje já falam e movem-se com pouca dificuldade. É mágico, realmente emocionante.”
Ao contrário do que muitos pensam, o tamanho do animal e sua postura não assustam os praticantes da técnica. É possível notar um enorme relaxamento por parte dos pacientes e, ainda mais, um carinho e interesse enormes pelos cavalos. Ao final de cada aula, que dura em média 1 hora, quem estava em cima do animal normalmente quer levá-lo para passear, ajudar no banho e na escovação do animal e enchê-los de carinho, beijos e agrados. É um trabalho em equipe árduo e demorado mas que, no final das contas, vale a pena.