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Sep. 22nd, 2012

A Resistência da Memória


           Sábado. 22 de setembro de 2012. 7 horas da manhã. Acordei sem despertador. Há dias não durmo ou como direito, perdida em devaneios sobre o que tenho lido e debatido ultimamente. Livros, reportagens, depoimentos, relatos. Tudo sobre a ditadura militar. Nem tomei meu café da manhã. Cheguei a esquentar o leite e pegar a manteiga – um pouco rançosa, admito – na geladeira, mas deixei pra lá. Estou ansiosa! Hoje vou com alguns amigos historiadores conhecer o Memorial da Resistência de São Paulo. Passei a madrugada fuçando no site do memorial, e fiquei empolgadíssima com o que li:  “...é uma instituição dedicada à preservação de referências das memórias da resistência e da repressão políticas do Brasil republicano (1889 à atualidade) por meio da musealização de parte do edifício que foi sede, durante o período de 1940 a 1983, do Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo – DEOPS - SP, uma das polícias políticas mais truculentas do país, principalmente durante o regime militar”. Poxa, tem como não se empolgar? Hoje vou estar dentro de um lugar cheio de lembranças tenebrosas, sentir as vibrações e entender na pele o que foi a Ditadura Militar.  Quero viver isso intensamente! Tocar nas paredes frias das celas, olhar de perto a ferrugem das trancas, ouvir o eco das salas gigantes e do corredor. Sentir o calor do sol que passa através das grossas grades que têm nas janelas. Mas, antes de falar sobre a visitação, quero falar mais sobre o Regime.

“Dizem que ela existe prá ajudar! Dizem que ela existe prá proteger! Eu sei que ela pode te parar! Eu sei que ela pode te prender!”. O trecho da música “Polícia”, da banda de rock paulista Titãs, é uma forte alusão aos déspotas militares que foram donos soberanos do Brasil nas décadas de 60 e 70. No entanto, este “breve” período, conhecido como Ditadura Militar, estende-se até os dias de hoje; ainda que muitas vezes, oculto. Impalpável.

Mas o que foi o Golpe de 64? Por que tanta violência e repressão? A ditadura militar no Brasil veio para estancar a avalanche de ideias, movimentos e atitudes que estavam se espalhando no país. As mudanças culturais, a politização dos trabalhadores, os sindicatos. As transformações do povo assustaram os militares! Com o poder armamentista em mãos, derrubaram Jango e passaram a cometer as tão conhecidas barbáries, usando o comunismo como desculpa esfarrapada. Medo gerando medo. A milícia com medo de pessoas que queriam melhorias e estavam cada vez mais cientes e instruídas de seus direitos. Transformaram o termo “anarquia” em baderna, em terrorismo, quando nada mais é do que um movimento pacífico.

O Regime Militar no Brasil, assim como a raramente citada e até desconhecida por muitos, Guerrilha do Araguaia, dizimaram a esquerda armada no país e exterminaram militantes, com discursos equivocados e atos cruentos, que provocaram a maior abulia social que este país já conheceu.

Mas não foi somente a perturbação mental que se espalhou por culpa desta caterva de homens inescrupulosos. A artilharia militar, que organizou e dirigiu o Golpe Militar, ao lado da cavalaria e da infantaria policial, espalhou medo, espalhou agonia, espalhou morte! E o pior: espalhou incerteza.

Essa sensação de irresolução infinda, misturada a gotas amargas de uma impotência civil, é o ingrediente central da narrativa do livro “K.” de Bernardo Kucinski, jornalista e científico político brasileiro que utilizou-se da escrita para denunciar o Regime Militar brasileiro, que “desapareceu” com sua irmã Ana Kucinski.

O livro, que detalha a árdua vereda de seu pai em busca da filha sumida, leva o leitor para um Brasil terrorista, onde tudo era permitido a poucos e quase nada, imposto a muitos. “Contra o comunismo e a subversão”, os militares destruíram famílias inteiras, não só fisicamente, mas também, psicologicamente. Aos pais dos desaparecidos políticos, ofereceram a dor da dúvida, a volatilização de sonhos, mentiras, armações, negativas à terapia do luto. Farsas em nome de um estado de direito. Cidadãos perdendo sua individualidade.

Trancas de caibro, estratagemas, contatos, refúgios, preces. Nada era tão grande quanto a vontade maior de machucar. Nada era capaz de deter as sessões de espancamento, os afogamentos, os choques elétricos. Militantes brasileiros, como Ana, viram seus corpos sofrendo punições fatais, por ideais que guardavam em seus corações. Corpos mutilados, sangrando, apodrecendo. Lágrimas, gritos, suor, desespero, queimaduras de cigarro. Convulsões, desmembramentos. Cheiro de carne queimada, de podridão, de esquecimento. Cheiro de morte. Com uma barra de ferro atravessada entre os punhos e os joelhos, jovens amarrados e pendurados a vinte centímetros do chão, encontravam seu fim em meio a fezes, urina e sangue.

Com a influência e coragem de pessoas como Zuzu Angel – estilista carioca que perdeu o filho Stuart Angel para a ditadura e botou a boca nos trombones internacionais, mesmo que isso tenha causado sua própria morte – o assunto foi parar em outros países. Os EUA tentaram se meter e ajudar, mas não conseguiram. A Anistia Internacional que deveria defender os direitos humanos, não colocou nem um dedinho no regime para tentar impedir tal chacina. Todos se calaram! Com o rabo entre as pernas, amedrontados!

Mas e as famílias dos guerrilheiros e militantes, que na maioria das vezes nem sabiam que seus filhos, irmãos ou sobrinhos estavam envolvidos na luta da resistência? Alguns parcos cidadãos, como foi o caso de Kucinski, foram atrás desse sistema que engolia pessoas, tentando saber sobre o paradeiro de seus desaparecidos, brigando para conseguir qualquer informação, implorando por algum contato. Mas nem K., nem Zuzu, nem ninguém, chegou a tocar novamente em seus amados.

Quem tivesse a pertinácia de continuar tentando obter alguma resposta, era enganado, dissuadido, desiludido. Virava brincadeira do governo. Cooptados, personagens da comunidade de informações, padeiros e amigos que na realidade eram infiltrados do Regime Militar. Alguns até se compadeciam de verdade, outros chegavam a cometer delações, para salvar a própria pele. Mas o medo era maior que tudo. O silêncio era a melhor arma para a sobrevivência. Advogado? Não adiantava de nada: os militares proibiram a concessão de habeas corpus em casos de prisão política, ou seja: proibiram uma garantia constitucional em favor de quem sofria violência ou ameaça, por parte de uma autoridade legítima. Não havia saída.

Por fim, depois de dias, semanas, meses, anos...parava-se de tentar. Acabava-se por se contentar em ter um corpo para poder enterrar e como nem isso era permitido, o cansaço acabava tomando o lugar da esperança. Os militares podiam tudo. Ainda mais depois do AI-5 (Ato Institucional número 5), que foi o instrumento que deu ao regime poderes absolutos e cuja primeira consequência foi o fechamento do Congresso Nacional por quase um ano. Demo-cracia, só se for!

 Ao contrário do que aconteceu em outros lugares da América do Sul, o regime militar brasileiro não veio com uma proposta, um molde, um propósito. Deu um golpe para cortar os direitos das pessoas. Veio abortar essa geração revolucionária. E eles conseguiram! Tomamos tanta porrada que ficamos quietos e deixamos pra lá. Conhecemos o poder dos cassetetes. Cassetetes antidemocráticos! Destruindo úteros, ossos, músculos, rostos. Rostos de pessoas amadas, de pessoas desconhecidas, de pessoas feias, bonitas. Rostos de pessoas que um dia almoçaram com suas famílias num domingo ensolarado, que tomaram sorvete com uma pessoa querida, que tiveram sonhos, que aprenderam a andar de bicicleta com seus pais, que foram amadas. Pessoas que não existem mais.  Pessoas que se foram por culpa de torturadores de mãos malignas e corações empedrados.

Os algozes da ditadura, muitos ainda vivos e todos, sem exceção, impunes, encerraram esse período de insurrecional doença nacional, com o saldo de 475 mortos e desaparecidos políticos. No entanto, com o passar dos anos (e até mesmo na época em que a milícia tudo podia nesse país tropical), a população demonstrou sofrer de outra doença. A pior de todas ao meu ver: o Alzheimer coletivo! Uma deliberada e imperdoável amnésia política e social, que perdoa, que esquece, que acoberta. A defesa de terroristas (esses sim, terroristas) como Coronel Ustra, se esmera em descaramento. Ele, que caminha livre pelas mesmas ruas em que anos atrás, foram palco de suas torturas e seus abusos. E as pessoas nem sabem que cara ele tem. As pessoas nem sabem o que foi a ditadura. O Brasil transformado em piada pelo próprio Brasil.

E as piadas continuam. Cláudio Guerra, ex agente do DOPS e um dos nomes mais lembrados do período, ao lado de Fleury – líder do Esquadrão da Morte, um grupo fundado com base em um discurso moralista de defesa da sociedade, contra os elementos “indesejáveis” e para fazer a manutenção da ordem pública – conta detalhada e abertamente, todas as suas experiências como “combatente”, no recém-lançado livro “Memórias de uma Guerra Suja”. Tudo, claro, sem contrição. Vale dizer que hoje ele é pastor de igreja.

Mas a maior das piadas veio de encontro a mim na manhã deste sábado. Depois de me arrumar rapidamente e escovar os dentes com pressa, desci até a garagem do meu prédio e entrei no carro. Já coloquei a chave no contato e liguei o rádio. Abri a porta do passageiro para o Lucas entrar – Lucas Rosa. Meu namorado historiador gaúcho, apaixonado por História do Brasil, e que estava quase tão empolgado quanto eu para conhecer o Memorial da Resistência. Girei a chave. O carro ligou e saí dirigindo.

A próxima parada foi na casa da minha amiga, e (jura) também historiadora Maíra Rosin. Com todos dentro do carro, partimos para o Centro da cidade de São Paulo. Achamos um estacionamento relativamente perto da Estação da Luz e fomos caminhando até nosso destino.

A cada passo minha ansiedade aumentava. O Lucas ia mais à frente conversando com a Maíra, a respeito de alguma coisa que eu nem prestei atenção, e eu ia logo atrás, desviando dos transeuntes que passavam pelas mesmas calçadas que eu, enquanto relembrava cada fato e imagem armazenados na minha cabeça de jornalista apaixonada por descobrir coisas novas. “DEOPS, torturas, Mariguella, Fleury, Guerrilha do Araguaia, ALN, pai da Kucinski, filme da Zuzu Angel, VPR, Esquadrão da Morte, injustiça, verdades vindo à tona – ou não...”.

_ Lília? Chegamos. – disse Lucas.

Entramos. E foi então que tive uma das maiores, se não a maior, decepção da minha vida.

O “Memorial da Resistência”, cuja proposta inicial era retratar as péssimas condições nas quais ficavam os presos, sendo ali submetidos a torturas físicas e mentais, pois das celas era possível ouvir os gritos dos companheiros torturados, era na verdade, um pano. É! Um pano, cobrindo um monte de coisas.

Logo de cara, paredes coloridas. Sim, paredes coloridas, com frases simpáticas sobre força e resistência. Pensei comigo: tem alguma coisa errada, não pode ser aqui. Mas era. Celas limpas, latrinas de louças novas, colchões e paredes com dizeres quase poéticos, lençóis limpos e novos, portas reformadas e –pasmem- ar condicionado nas celas. Oi? Eu estou mesmo no lugar que deveria lembrar as pessoas que passam por lá da guerra que este país viveu há pouquíssimo tempo atrás? Lembrar do sofrimento de pessoas inocentes, dos terroristas que acolhemos em nossas cidades, das famílias devastadas pela solidão causada pelo Regime Militar?

Fiquei abismada. Entrei numa das celas onde estava uma monitora baixinha, morena e de cabelos cacheados cheios de creme para pentear, falando algumas besteiras para o público que ouvia com atenção. “Muita gente famosa ficou aqui. Inclusive a Dilma”. Pera aí! Gente famosa? Presidente? Na época não passavam de jovens lutando contra a repressão. Pessoas que ficaram conhecidas por passarem maus bocados nas mãos de uma horda de animais em forma de gente.

Olhei para minha amiga Maíra e ela retribuiu o olhar, com uma expressão de “Pois é, Li, esse lugar é uma farsa e eu imagino que você esteja decepcionada”. Para ela, a situação é desgostosa: “Como historiadora acredito que a permanência do feio, do sujo, da caracterização do malvado, assim como foi conservado em Alcatraz ou em Auschwitz, traz muito mais desconforto, e o desconforto ativa a memória para que a lembrança daquele lugar fique marcada nos corações dos visitantes de forma a repudiar atitudes como aquelas e assim fazer com que essas páginas negras da História não se repitam”.

Peguei-me com taquicardia. Revoltada mesmo. Como é possível? Conseguiram fazer com que um ambiente marcado pela dor e o sofrimento ficasse sem embasamento - com exceção, talvez, do corredor, onde a conservação das grades e a pouca luminosidade ainda causam certo pavor -, conseguiram acabar com o DEOPS.

Na última cela, uma flor vermelha iluminada indiretamente e o som de “Pra não dizer que não falei das flores” fazem com que toda a carga negativa que a antiga cadeia carrega fique ausente, com a impressão de que esse período passou por completo. Fora isso, a falta de documentação histórica ali presente também tornam o local quase fictício. Os poucos nomes lembrados nas paredes reformadas são tão poucos como as faces a serem vistas. Nomes como Stuart Angel e outros que nunca nem estiveram presos naquela cadeia são lembrados, de uma forma a parecer um memorial geral, mas ao mesmo tempo vazio de conteúdo. “O período da Ditadura Militar não pode ser esquecido nem tratado de forma simples, pois refere-se à uma imensa mácula na História do Brasil República. A falta de documentação adequada e a pouca vontade daqueles que fizeram parte do comando militar impedem que essa história seja escrita com a devida clareza que se deve. O bloqueio dos Arquivos do DEOPS, assim como a insistência da manutenção dos desaparecidos, sem considera-los mortos, impede que haja a adequada justiça a todos aqueles que sofreram nos porões da ditadura”, diz Maíra.

E esse discurso propositadamente errôneo das monitoras? Serve para tapar ainda mais o sol com a peneira. Quem vai lá recebe informações enganosas, distorcidas. Deixam de ouvir umas boas verdades sobre o que foi a ditadura. Quem provoca isso, provoca ignorância. Quem provoca ignorância, provoca cidadãos incapazes de lutar pelo que lhes é direito. E é direito do mundo, saber tudo que aconteceu no Brasil. Um Estado que silencia, que finge que nada aconteceu, é um Estado que, a posteriori, se torna cúmplice da barbárie! Um Estado sem sentimentos; perverso e que possui uma única fresta: a corrupção. Isso não é democracia!

Saí de lá triste. Todos nós saímos. Tristes por sabermos de mais verdades do que foram expostas. Por termos alma de gente que quer justiça, que quer a verdade. Alguns, além de nós, desejam e lutam por esse ideal, sem saber o que esperar do futuro.

Hoje o Brasil tem a Comissão da Verdade, criada com 4 décadas de atraso - cá entre nós - à revelia dos militares, e que pretende – pelo menos no papel - escancarar a verdade nas entrelinhas deste período, ainda que não exista UM historiador compondo tal comissão. Por que será? Pais, mães, irmãos e amigos de presos, torturados e mortos ainda lutam pelo aparecimento da verdade e pelo ressarcimento por aqueles que lutaram e que perderam suas vidas na procura de um Brasil livre.

Ainda temos “Kucinskis”, procurando pela verdade que foi enterrada no lugar de corpos. Vagando por ruas em “fins de mundo” com nomes de presos e desaparecidos políticos, desmascarando torturadores, corruptos e maldosos. Escrevendo estórias de vida e morte em vários idiomas: português, inglês, iídiche...

“Zei zainen umetum” - eles estão em toda parte.

May. 14th, 2012

Solidão E Fé

          Solidão é Fé, um documentário feito pela cineasta e diretora carioca Tatiana Lohman, em 2010, é o primeiro longa metragem de sua carreira. O filme é na realidade um diário sobre a descoberta do dia a dia de um peão de rodeios, uma investigação sobre o arquétipo do herói numa cultura onde essa imagem ainda impera. A solidão que este enfrenta a cada viagem, e seus momentos de fé; nos quais recarrega sua energias e renova suas forças e sua coragem para encarar a estrada e sua profissão: montar em um animal de uma tonelada por mais de 8 segundos.

          Suas rotas, além de um percurso moral, recheado de figuras ilustres do mundo dos rodeios e de diferentes personagens, acompanhados durante toda a gravação do documentário, são, também, os rodeios de Barretos, Rio Verde e Novo Horizonte, escolhidos para serem o palco de seu filme.

O equipamento utilizado nesse processo faz, literalmente, parte do enredo, ao criar imagens com as pessoas, os cenários e a vastidão das estradas percorridas. É uma obra existente do encontro entre mundo e câmera; um filme sobre o processo de filmar. Quem está atrás dos botões e lentes, é de real importância para a veracidade deste filme. Mariana Lohman mostra um afeto, que  perpassa todo o filme, da condução das entrevistas ao claro envolvimento visível da realizadora com o tema, dando à obra, uma certa magia nostálgica.

“Solidão e Fé”, da Miração Filmes, foi premiado pelo júri popular como melhor longa-metragem da 14ª Mostra devCinema de Tiradentes, em fevereiro de 2010 e Também foi exibido no 6º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo e no Festival do Rio 2010.

Dirigido, roteirizado e montado por Tatiana, que divide a fotografia com Humberto Bassanelli, o filme tem duração de 89 minutos e foi finalizado em 35mm. A trilha sonora criada pelo Duofel valeu-se de timbres inusitados para pontuar cenas igualmente incomuns. É um filme extremamente sensorial, completo, e que, no final, não se trata do mundo dos rodeios, mas sim, do homem em busca de si mesmo.

Dec. 7th, 2011

Estranho...

"...Estranho...
Estranho como sou sozinha quando em companhia
E me sinto perto quando fico só
Como o ponteiro gira e faz tudo mudar
... Em um segundo, um minuto, um olhar
Estranho como me sinto culpada
Por coisas que não escolhi ou pedi
E como o peso das coisas cai sobre mim
Quando me deito para dormir
Estranho é pensar em nós dois
E como dois juntos nem sempre é um par
Em como juntos ficou pra depois
Em como dois podem ser outros dois
Estranho como me sinto
Como eu penso e como pressinto
Que por mais que as coisas se acalmem
E que a tempestade volte a ser uma chuva,
Como tudo vai ser só estranho..."

Lilia Marcondes
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Jun. 29th, 2011

O som da alma é a música do sucesso

  Quando o assunto é profissão ou qual curso escolher para cursar em uma universidade, surgem nomes de diversos ofícios populares; que a maioria das pessoas sabe o que significa e sabe até o que o profissional em questão exerce como função: advogados, médicos, dentistas, professores, motoristas, cabeleireiros, contadores, administradores, porteiros, músicos...o que? Música é profissão?

 
  Sim, é; e ao contrário do que muitos pensam, é de extrema dificuldade ingressar em uma faculdade de música e terminar o curso em questão. Na maioria das instituições que oferecem essa formação, é feita uma prova de aptidão antes mesmo do vestibular tradicional, onde são avaliadas as capacidades técnicas e as habilidades instrumentais do candidato. Ou seja, é preciso já ter um extenso conhecimento da área antes de se aventurar a caminho do bacharelado.
 
   Disciplinas como história da música, teoria musical, percepção, filosofia, prática de orquestra e harmonia fazem parte da grade curricular. Os bacharelados apresentam habilitações de instrumento, regência de coral e composição. O aluno prepara um recital de conclusão do curso, a ser apresentado ao final dos anos de estudo, que varia entre quatro e seis anos. O músico, então, encontra-se apto para compor, dirigir ou interpretar peças musicais e atuar como solista ou em grupos musicais; compondo, adaptando, dirigindo, lecionando e interpretando.

  Em dezembro de 1960, criou-se a Ordem dos Músicos do Brasil, com a finalidade de exercer, em todo o país, a seleção, a disciplina, a defesa da classe e a fiscalização do exercício da profissão do músico. Esta, no entanto, mudou muito nos últimos vinte anos. A internet trouxe o artista para perto do público e vice-versa, abrindo assim, um leque de inúmeras possibilidades de aprendizado e comunicação. Mas, estas facilidades são recentes e não era bem assim há algumas décadas atrás.
 




  Em São Paulo, há 31 anos, nascia no popular bairro do Tucuruvi, uma menina que seguiria os passos da música desde a infância, com muitos obstáculos e muita força de vontade. Marlene Garcia Herrero, filha única de um casal que a apoiou desde sempre, é apaixonada pelo universo musical desde que nasceu; especialmente pelo piano.

 

  Com seu rádio, cantarolava as músicas da época, desenvolvia acompanhamentos com a voz e sempre teve facilidade para mudar tons, montar arranjos vocais e decorar as letras em inglês. Aos 9 anos, uma prima que estudava piano começou a lhe dar aulas em casa. Para estudar as músicas aprendidas, fez com as próprias mãos um improvisado teclado de piano com pedaços de papel; já que sua família não tinha dinheiro para comprar um piano de verdade para ela.
 
  Quando suas habilidades e seu conhecimento ficaram avançados, sua prima deixou de lhe dar aulas e recomendou que Marlene procurasse um conservatório musical. Foi assim que, aos 12 anos, foi estudar piano no Instituto Cultural Antônio Vivaldi. Praticando incansável e diariamente peças de grandes pianistas e compositores como Johann Sebastian Bach, Wolfgang Amadeus Mozart e Ludwig Van Beethoven, superou as expectativas de todos quando, aos 16, tornou-se professora substituta do próprio conservatório. Seus pais, companheiros e principais incentivadores da musicalidade da filha, fizeram então uma grande surpresa à ela.
 
  Convidada para fazer uma viagem de final de semana ao Rio de Janeiro junto a seus vizinhos, Marlene deixou a cidade por três dias. Quando voltou a São Paulo, numa noite de domingo, notou que havia algo diferente em sua casa. Na pequena sala de estar, um grande presente: seu primeiro piano a esperava.Depois deste episódio, os estudos se intensificaram ainda mais e a carreira da adolescente deslanchou. Quando fez 17 anos, foi chamada para ser parte da equipe da escola de música, onde até então era substituta, e tornou-se professora. Poucos meses depois, Marlene já tinha trinta alunos e mostrou excelência naquilo que fazia. Caprichosa e talentosa, sempre organizava recitais, apresentações e trazia cada vez mais pessoas para estudar com ela.

  Ao terminar o colegial, conciliou as aulas de piano com a faculdade de direito e começou a lecionar música em sua residência. Quando se formou advogada, exerceu a profissão por alguns poucos anos, com o objetivo de juntar dinheiro suficiente para realizar outro sonho pessoal: montar sua própria escola de música.

  Aos 25 anos, esse sonho se concretizou. Depois de muito esforço e de muito apoio, nasceu a Destaque Artes, no bairro do Tucuruvi; com aulas de piano, bateria, violão, guitarra, baixo, teoria musical, teclado e voz, a escola foi um sucesso desde o início. Além de lecionar instrumentos, os alunos encontraram oportunidades diversas de danças para aprender: dança do ventre, dança de salão, tango, street dance e balé, entre outros estilos.

  Quando o investimento de sua vida transformou-se em lucro, Marlene decidiu que era hora de fazer sua faculdade de bacharelado em piano clássico. Conquistou uma das quatorze vagas oferecidas para bolsistas pela Unicsul, que possui nota máxima no MEC, e com duração de três anos.

  Em janeiro de 2011, sua professora da matéria de piano, Danielle Longo, convidou-a para fazer a iniciação científica. Marlene escolheu pesquisar sobre o método de Dalcroze, um músico suíço que criou uma metodologia de ensino musical baseado em expressão corporal, onde unem-se a dança e a música. Acredita-se que essa técnica contribui para que o músico interprete e viva o que está tocando. Este método, hoje em dia, é utilizado em musicoterapia, dança e até mesmo em cursos de educação física.
 
  Foi então que, com seu projeto em andamento, Marlene descobriu através de sua amiga de turma, Aline Marques, um congresso internacional chamado Education Without Borders, que reúne quatrocentos alunos de diversas universidades do mundo inteiro, selecionados através de um rígido sistema de avaliação, para apresentarem seus projetos a todos os países da Terra, em um congresso que acontece em Dubai, a cidade mais populosa dos Emirados Árabes Unidos.
 
  Em fevereiro, seu projeto foi selecionado entre outros quinhentos enviados somente por alunos brasileiros para esta apresentação, organizada pela universidade HCT, de Dubai. Surpresa e radiante de tanta alegria, precisou se organizar em duas semanas para ir ao evento. Essa organização toda incluía: tirar o passaporte, conseguir o visto e arrecadar o dinheiro das passagens; algo em torno de três mil reais.
 
  Mais uma vez seus amigos e parentes se uniram e conseguiram ajuda-la a realizar mais um sonho de sua vida. De repente, lá estava Marlene; do outro lado do mundo, representando seu país junto a sua amiga de faculdade, que também teve seu projeto aprovado. As duas únicas brasileiras a participar de um dos maiores eventos universitários do mundo."Foi um choque cultural. Silêncio nas ruas, carros importados que nem existem no Brasil, mulheres vestidas dos pés a cabeça, ouro para todos os lados; uma coisa de outro mundo. A HCT colocou a gente em um hotel magnífico, com quartos, cozinha, sala, banheiros enormes e vista para o mar. Me senti uma rainha", diz Marlene.
Durante os dez dias de congresso, a musicista conheceu pessoas de diversos países, fez amizade com árabes, subiu ao topo dos cento e vinte e dois andares do Berg Chalifa, o prédio mais alto do mundo, jantou com o presidente dos Emirados Árabes, conheceu o Ministro da Educação, viu fontes de água dançarem ao som de música árabe, assistiu a apresentações realizadas por hologramas gigantescos ao ar livre e jantou no palácio Emirates Palace.
 
  A apresentação de seu projeto foi um sucesso: "A universidade criou um esquema muito dinâmico. Foram círculos de palestras simultâneas, com dez minutos de demonstração apenas. O debate foi bem legal, apesar do meu inglês não ser muito bom. Todos se respeitam muito lá, não houve preconceito nem nada negativo". Entre as aventuras vividas em Dubai, a mais marcante foi visitar a segunda maior mesquita do mundo, em Abudabi. "Foi muito emocionante, tive que colocar uma burca, prender os cabelos e tirar os sapatos para entrar lá. Mesmo na rua, temos que tomar cuidado com o que vestimos. Tem que cobrir ombros, joelhos, cotovelos. Andar de mãos dadas na rua é proibido, tem até uma plaquinha com um casal cortado ao meio. Se der um beijo em público eles te prendem; é outra cultura", diz Marlene, que se impressionou também com os perfumes únicos feitos em Dubai e com as pedrarias em abundância.
 
  Depois da viagem e da volta ao Brasil, as surpresas estão apenas começando. Com o mesmo projeto, Marlene já recebeu outro convite. Irá apresenta-lo no Congresso de Música e Cognição, a ser realizado em Buenos Aires, na Argentina entre os dias 19 e 21 de julho de 2011. Para os planos futuros, seu desejo é seguir carreira acadêmica e lecionar em alguma universidade, além de manter sua escola crescendo, a Destaque Artes, onde leciona-se música a mais de cem alunos hoje em dia. E tem quem ache ainda que ser músico não é profissão.

 
LILIA MARCONDES

 

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Estereotipização


RESENHA:

  Ao ler o texto “Câmera Clara, um diálogo com Barthes”, o leitor depara-se com termos específicos e palavras criados por Roland Barthes para designar algumas composições fotográficas, certas práticas e até mesmo maneiras de interpretação diferenciadas. O caráter emocional, presente o tempo todo na narrativa, é muito importante e acaba por aproximar quem está lendo, da essência da imagem fotográfica. O autor utiliza-se dos “personagens” do operator (operador, quem tira a foto) e o spectator (espectador, que olha e analisa as imagens).

   O texto fala sobre a importância de o fotógrafo ser também o espectador, para fazer uma análise de seu material, mais precisamente. Fala também sobre punctum (que é o que fere o espectador; com forma e intensidade que faz com que quem analise aimagem sinta vontade de ver mais do que o que está ali, limitado pelo estênopo e que tem sua intensidade gerada pela força do noema, conteúdo da noética e quedá   significado e sentido para um ato intencional.) e studium (a imagem que causa apenas interesse momentâneo e geral da imagem).

   Segundo o autor, em relação às fotografias finais, o operator determina o que quer transmitir,pois, até o instante do “click”, o quadro a ser captado pode ser alterado,levando-se em conta o que estava no ambiente para além do estênopo. Sendo assim, o “instante decisivo” Bressoniano é muito semelhante ao que Barthes chama de punctum operator: um conceito de relativizar as emoções do operator, no momento em que este tira a foto.

   Já no texto “Estereotipização e discurso fotojornalístico nos diários portugueses dereferência: Os casos do Diário de Notícias e Público”, o autor trata sobre o discurso fotojornalístico estereotipado dos dois maiores e mais famosos jornais de Portugal. Este, fez uma pesquisa com ambos os diários, envolvendo uma análise de conteúdo quantitativa de alguns volumes publicados em 2002 e concluiu que até mesmo estes grandes criadores de opiniões públicos, praticam sim a estereotipização.

   Produzem imagens que ajudam a associar pessoas e idéias simplistas e pré concebidas sobre o sexo das pessoas, a idade, a etnia e até mesmo a nacionalidade. E isso é grave, por que as imagens podem sim desviar a atenção do texto em si e condicionar a interpretação que os leitores terão sobre o assunto tratado.Isso se chama agenda setting e significa que a mídia determina a pauta para a opinião pública ao destacar determinados temas e falar bem, ignorar ou falar mal de outros.

   No caso, o estereótipo “final”de conclusão indica que o jornal, ou “a coisa pública”, como eles chamam, assim como esportes, política e economia são coisas de homens, adultos, brancos e ricos. As mulheres, os negros, os idosos e as crianças estão sempre em menor número nas estatísticas recolhidas.

  Lília Marcondes


May. 30th, 2011

Dia perfeito !!!


"Até parece que o vento
me amadrinha e me reponta,
pois quando monto a cavalo,
o mundo troca de ponta...
Pra se falar de cavalo,
antes da raça e padrão,
tem que haver sentimento
de fletes no coração..."




Meu pai amado, Roberta (minha treinadora querida) e eu com o Best ♥! Dia maravilhoso!

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May. 12th, 2011

O lado amargo do doce


      Em pleno ano 2011, com tecnologias avançadíssimas, diversos tabus desmistificados e com grandes pesquisas da humanidade a todo vapor, grande parte da população da Terra ainda tem uma dúvida cruel: como conciliar o prazer de comer com uma vida saudável? Quase todos os alimentos que dão água na boca já foram condenados infinitas vezes em revistas, livros, palestras e vivem rondando a cabeça das pessoas; causando sentimento de culpa ou até mesmo tristeza.

      O açúcar, o vilão da culinária e item indispensável para “aliviar TPM” ou deixar doces irresistíveis, é um dos ingredientes mais perigosos que cerca os pratos mais comuns consumidos diariamente por pessoas de todas as idades e de todos os lugares do mundo. Que engorda já se sabe há muito tempo. No entanto, esse pó branco aparentemente inofensivo foi alvo de pesquisa de um endocrinologista americano, chamado Robert Lustig, e se revelou um vício gravíssimo. “O açúcar é perigoso como o cigarro e o álcool para as pessoas e pode até causar câncer”, diz o médico.

      Lustig se dedica há anos a essa pesquisa e seu maior objetivo de carreira, hoje em dia, é o de divulgar ao mundo todo, as evidências que coletou contra o açúcar: é uma droga poderosa, pode viciar (se usado em grandes quantidades) e causa diversos males à saúde de um ser humano. Mas como nosso corpo pode aceitar e processar um alimento que pode fazer tão mal a ele mesmo?

      O que acontece quando ingerimos algo doce é o seguinte: todas as células do corpo humano necessitam de certo nível de glicose, encontrada no açúcar, assim como a frutose e a sacarose. Todas essas são fontes de energia e nos ajudam a ter disposição física e mental para enfrentarmos nossas rotinas. Alguns alimentos, como frutas, legumes e certas verduras, fornecem as quantidades corretas para que isso aconteça de maneira saudável e controladamente. O excesso de glicose ou frutose, encontradas em altas doses em refrigerantes, bolos e outras delícias, chega ao intestino e estimula nosso pâncreas a produzir insulina.

      A insulina, um hormônio que reduz essa concentração toda no nosso sangue, estimula o corpo a usar essa energia imediatamente. Se o corpo estimulado não se exercitar, toda essa quantidade gerada vai ser estocada no fígado, forçando-o a trabalhar excessivamente, produzindo gordura. Como mecanismo de defesa contra essa gordura toda, o organismo se torna mais resistente à insulina, aumentando o nível de açúcar no sangue e transforma todo esse processo em um ciclo vicioso.

      Como resultado, depois de muito tempo forçando os órgãos dessa maneira, pode-se desenvolver diabetes, cardiopatia, retinopatia, hipertensão, AVC e até impotência sexual. Já os cânceres, um dos males que podem ser causados também pelo açúcar em excesso, citado anteriormente, ocorrem por conta do aumento da produção de insulina no corpo, já que muitos tumores dependem desse hormônio para se desenvolver. No Brasil, uma pesquisa mostrou que cada pessoa consome, em média, cinco quilos de açúcar por mês; uma quantidade absurdamente alta para manter a saúde em dia.

      Mas muita calma. Não pense que é necessário banir o pó branco de sua vida e passar o resto dos dias comendo alface e chorando de saudades de um docinho. Existem muitos alimentos que podem substituir o açúcar e, ainda assim, serem muito saborosos: o xarope de milho, um líquido viscoso que parece com o mel, é uma boa opção, embora seja um tanto calórica. As frutas são uma saída gostosa, barata e de sabor agradável. Existe também o xarope de agave, uma plantinha mexicana utilizada no processo da tequila, que pode ser encontrada em lojas de produtos naturais e é bem concentrada. Por último e não menos importante, o mel. Além de possuir propriedades terapêuticas, é produzido também a partir do néctar de flores, tem poderes curativos e é repleto de nutrientes e antioxidantes, que mantém sua pele mais bonita e saudável por muito mais tempo.

      A cana de açúcar, de onde vem a sacarose (o pozinho branco que usamos nas comidas), é conhecida como açúcar refinado. Ele é usado em quase todos os alimentos doces e até mesmo em alguns salgados. Outro tipo de açúcar é o mascavo. Ao contrário do comum, ele não é refinado e é absorvido mais lentamente pelo organismo, já que mantém as vitaminas e os minerais da cana. Tem a aparência amarronzada e é mais granulado também, podendo ser um adendo à quem aprecia as texturas dos alimentos.

      Viu? Dá ou não dá pra continuar comendo coisas gostosas sem fazer mal ao próprio corpo? E para animar um pouco mais, uma última dica: você ainda pode consumir sim o açúcar: para as mulheres, a dose diária recomendada é de 25 gramas e para os homens é de 37 gramas; o que equivale a um delicioso brigadeiro ou até mesmo um copo pequeno de sundae.


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Apr. 28th, 2011

Música que tem me mudado diariamente...

 

COWGIRLS DON´T CRY !!!
Brooks and Dunn

 

Her daddy gave her, her first pony
Then taught her to ride
She climbed high in that saddle
Fell I don't know how many times
Taught her a lesson that she learned
Maybe a little too well

Cowgirls don't cry
Ride, baby, ride
lessons of life are going to show you in time
soon enough your gonna know why
it's gonna hurt every now and then
if you fall get back on again
Cowgirls don't cry

She grew up
She got married
Never was quite right
She wanted a house, a home and babies
He started coming home late at night
She didn't let him see it break her heart
She didn't let him see her fall apart

'cause Cowgirls don't cry
Ride, baby, ride
lessons of life are gonna show you in time
soon enough your gonna know why
it's gonna hurt every now and then
if you fall get back on again
Cowgirls don't cry

Phone rang early one morning
Her momma's voice, she'd been crying
Said it's your daddy, you need to come home
This is it, I think he's dying
She laid the phone down by his head
The last words that he said

Cowgirl don't cry
Ride, baby, ride
Lessons of life show us all in time
Too soon God lets you know why
If you fall get right back on
Good Lord calls everybody home
Cowgirl don't cry…



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Apr. 27th, 2011

Minhas fotografias de cavalo !!! Meus reis !!!



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Apr. 7th, 2011

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