Escola da vida
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                Faculdade. Uma palavra como outra qualquer e facilmente localizada no dicionário de língua portuguesa, mas que pode assustar algumas pessoas e atormentar suas vidas durante alguns anos. 

Desde pequena sonhava em ser veterinária. Não brincava com outras crianças na rua, não fazia ballet, não dava aulinhas para meus amiguinhos de escola, fingindo ser professora. Ao invés disso, meu quarto se transformava diariamente em uma clínica veterinária e pet shop e eu passava as tardes costurando meus bichinhos de pelúcia, cortando-os para cirurgias imaginárias, conversando com proprietários inexistentes e injetando água nos pobres animais inanimados com uma seringa cedida por meus pais, médicos e também grandes exemplos como profissionais da área da saúde.

Com o passar dos anos, minha vontade de ser médica veterinária e cuidar dos animais só aumentou, ao contrário das expectativas e, sendo assim, por dois anos seguidos fiz cursinhos preparatórios para o vestibular. Com êxito no final do segundo ano, entrei para a melhor faculdade particular na área, com méritos e bolsas de estudo. Finalmente ia realizar meu sonho.

Encontrei minha paixão logo no primeiro dia de aula. A anatomia é a especialidade da medicina que mais me encantou e encanta até hoje. Adorava os professores, os colegas, usar branco todos os dias e passar o dia no laboratório dissecando cadáveres. Mas, nem tudo é perfeito e logo descobri minhas dificuldades para os estudos da bioquímica e citologia. Estudei incansavelmente por meses a fio. Venci barreiras, medos, notas. Me surpreendi. Pouco antes do final do ano letivo, primeira quinzena do mês de outubro, comecei a falhar com as notas, não conseguia acompanhar tão bem o ritmo dos trabalhos e provas e nem podia imaginar que meu sonho estava por acabar.

Dois meses depois, em 26 de novembro de 2006, minha mãe faleceu. Sem mais nem menos, do dia prá noite, sem aviso prévio, sem despedidas, sem conselhos, sem motivos. Meu mundo desabou e, com ele, meu sonho. Não pude continuar na faculdade por motivos financeiros e psicológicos e deixei pra trás meus amigos, meus professores, os laboratórios, o cheiro de formol, meus jalecos brancos, meus livros de anatomia.

O ano teve fim, 2007 começou devagar e era hora, então, de tomar outros rumos na vida.  Fui morar com meus avós paternos, meu rato e meu gato preto. Tudo era diferente, vazio, confuso. No final do mês de janeiro, meu pai me perguntou se eu queria cursar outra faculdade e, foi aí, que escolhi o jornalismo.

Sempre fui apaixonada por livros, por escrever, pela comunicação em um todo. Minha tia é jornalista há muitos anos e achava o máximo quando ela contava sobre as festas da faculdade, o pessoal descolado da área de humanas e me identifiquei com o curso de cara. Na nova faculdade, meus amigos se pareciam mais comigo, eu estudava menos, tirava notas melhores, descobri talentos que eu nunca imaginei existirem em mim e além de ser mais perto de casa, agora eu podia pintar meu cabelo de rosa e ter quantos brincos na cara eu quisesse.

Comecei estudando no período da manhã. Minha turma era grande e misturavam-se os cursos de jornalismo, relações públicas, rádio e TV e publicidade. Conheci muita gente, dei muitas risadas, tive excelentes professores, outros nem tanto, matei algumas aulas no palquinho da faculdade, outras no gramado da mesma, mas adorava a magia que rodeava o curso de jornalismo. Era minha mais nova paixão. No entanto, não fui suficientemente persistente para continuar sem acidentes de percurso. Repeti o segundo e o terceiro semestres por conta de uma depressão profunda e que parecia ser interminável para mim. Não desisti. Lutei contra, refiz os semestres e estou no segundo ano.

Se me arrependo? De forma alguma. Aprendi lições que não ensinam por aí, aprendi o valor que as coisas têm, fiz amigos, colegas, a cada semestre as aulas mudavam, conhecia mais coisas, aprendia mais. Hoje, corro atrás de algumas notas baixas e mensalidades atrasadas, mas nada demais. Tenho amigos que me amam, que me admiram, que me incentivam e quebram todos os galhos que podem e que não podem para mim. Tenho professores que me respeitam, me mostram a magia do jornalismo e que reconhecem em mim qualidades de uma “boa futura jornalista”. Estou feliz e ciente da minha capacidade. E admito: Sonhos podem ser mudados, basta querer.

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História em mármore
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Também conhecido como Obelisco de São Paulo, O Obelisco do Ibirapuera é o maior monumento da capital paulista e traz em sua arquitetura de mármore um pouco da história da Revolução Constitucionalista de 1932
 

            Com quase oitenta metros de altura e uma atraente forma trapezoidal, o Obelisco do Ibirapuera é o maior monumento da cidade de São Paulo e está localizado em Moema, um dos bairros mais requisitados e imponentes da capital. Como um monumento funerário, o Obelisco é uma homenagem aos falecidos durante a Revolução Constitucionalista de 1932 e teve sua obra concluída em 1970. Em seu subsolo, foi construído um mausoléu que abriga até hoje mais de 170 corpos, entre eles os corpos dos famosos estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (o M.M.D.C.), além de um pequeno museu contendo fotografias da época

            Tombado pelos conselhos estadual e municipal de preservação de patrimônio histórico, o Obelisco supostamente deveria receber cuidados e atenção dobrados. No entanto, para alguns, é exatamente o contrário que acontece nos dias de hoje. Filho de ex-combatente, João Nascimento Telles Jr., de 26 anos de idade e vizinho do Parque do Ibirapuera, fala indignadamente sobre o abandono no qual que se encontra o monumento. Segundo ele, o maior confronto militar do Brasil do século XX, onde brasileiros se uniram contra o presidente Vargas, não pode ser esquecido e tão pouco tratado com descuido. Eu como filho de ex-combatente me sinto no dever de apoiar reformas no Obelisco. É vergonhoso o estado do monumento e revoltante o fato do mausoléu ter sido fechado por falta de resistência ao vandalismo, um absurdo.”, diz o rapaz.

            Para o comércio, no entanto, o valor histórico do suntuoso monumento não é muito importante. Para Liana Sá, de 43 anos de idade e vendedora ambulante do Parque do Ibirapuera há quase uma década, o famoso Obelisco não passa de ponto de referência na grande São Paulo, apesar de admitir que a gigante construção em mármore atraia muitos turistas e moradores para o parque, aumentando suas vendas e garantindo seu emprego. “Não sei o que significa. Só sei que vem muita gente aqui ver as estátuas e sempre compram alguma coisa comigo”, conta a comerciante em meio a sorrisos.

            Conseguir uma boa foto do Obelisco não é difícil, apesar dos portões que dão acesso para o monumento estarem fechados durante a semana devido às depredações corriqueiras. No entanto, chegar ao mausoléu e documentar seu interior não é uma tarefa fácil. Em uma quarta-feira como outra qualquer, um grupo de três policiais militares chegam para investigar um carro recém- largado e supostamente roubado, no local.

Ao perguntar sobre o motivo pelo qual o pequeno museu está impossibilitado de receber visitações, o militar Sérgio Padilha de 42 anos de idade, diz que o vandalismo tomou conta do Parque do Ibirapuera em geral e que medidas drásticas tiveram que ser tomadas. “Infelizmente as pessoas não têm idéia do que estão depredando. Quase ninguém sabe a história do Obelisco e, por isso, nem se dão conta do mal que estão fazendo para a própria cidade em que vivem”.

             Nas proximidades do monumento, Rodrigo Câmara, estudante de 20 anos e que foi ao Parque do Ibirapuera pela primeira vez com mais três amigos, observa com admiração o Obelisco da Revolução Constitucionalista. Estudante do primeiro ano do curso de história da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o gaúcho fala maravilhado sobre as curiosidades do monumento e também das outras homenagens encontradas no bairro de Moema.

“É maior do que imaginei, lindo, uma obra-prima da arquitetura nacional. É um conjunto cultural e a cripta com as insígnias são perfeitas. Como estudante de história posso dizer que é a escultura mais rica que já vi na vida, com alegorias e simbologias fantásticas.”. Os companheiros de viagem concordam com Câmara e ressaltam o Obelisco dos Heróis como um marco, criado por Galileo Emendabili.

            Um pouco distante do Parque de São Paulo e também do Obelisco do Ibirapuera, memórias vivas da construção do monumento e da Revolução de 1932 vêm à tona numa entrevista emocionante.

Moradores do bairro do Tucuruvi desde pequenos, Lúcio Passamai, médico de 82 anos e sua esposa Anary Gomes Passamai, dona de casa de 80 anos de idade, contam com detalhes a história do Coronel Ary Gomes, pai de Anary, que participou da revolução na intendência de seu batalhão, fornecendo alimentação, abrigo e medicamentos para os soldados.

            Nascido em 18 de Abril de 1890 na cidade de Ribeirão Preto (São Paulo), Ary sempre foi apaixonado por assuntos político-militares. Sonhando com a carreira militar desde pequeno, ingressou na Força Pública do Estado de São Paulo em 1908, sofrendo preconceitos por ser soldado, sendo repudiado e desprezado por pessoas de famílias importantes da época. Com a carreira sempre em ascensão, já tenente, entrou na Escola de Odontologia e Farmácia de São Paulo em 1922, formou-se cirurgião dentista e em 1924 foi promovido ao posto de capitão.              

Grande orador e honrado militar, viveu até 23 de julho de 1975, conseguindo assim, assistir ao “nascimento” do Obelisco do Ibirapuera. A família conta que o Coronel Ary Gomes sempre falou sobre a Revolução com muito orgulho e muita paixão à profissão. “A construção do Obelisco foi algo indescritivelmente importante para ele. Fez questão de acompanhar de perto cada passo da obra e fez uma festança no bairro quando o projeto foi concluído com sucesso. Para nós, é uma parte da família, da nossa história.”, diz Anary, uma de suas 4 filhas.

Em seu diário da época das batalhas, lêem-se anotações do começo da Revolução (páginas 126-127): “O movimento deflagrado na capital paulista contaminou em 24 horas todo o estado e encheu de entusiasmo todos os habitantes de São Paulo. Creio, porém, que apenas o acompanhará nesta grande arrancada para a Constitucionalização imediata, apenas o sul de Mato Grosso.”

            À base do monumento, junto à entrada da capela e da cripta há uma inscrição de Guilherme de Almeida, advogado e grande jornalista da época, que diz: "Viveram pouco para morrer bem. Morreram jovens para viver sempre." E é assim que, ao que tudo indica, o grandioso Obelisco do Ibirapuera é e sempre será lembrado.


 Foto: Lília Marcondes
 

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Marcos Zibordi e os focas
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O jornalista, repórter da revista "Caros Amigos" de São Paulo, encontra-se com estudantes de jornalismo do Centro Universitário Sant'Anna e dá uma palestra inesquecível

  Na última terça-feira, dia 28 de abril, o jornalista Marcos Zibordi conversou por mais de duas horas com alunos de jornalismo do Centro Universitário Sant'Anna. Atualmente, Zibordi é repórter da revista "Caros Amigos" e, além de falar um pouco sobre seu dia-a-dia no trabalho, contou sobre seu início de carreira, as dificuldades encontradas e antigos empregos que contribuíram para a sua carreira de sucesso.

  Zibordi também é professor assistente da Universidade Bandeirante de São Paulo (UNIBAN) e atua na área de Mídia Impressa que é parte da grade do curso de jornalismo da faculdade. Com essa carta na manga, mostrou em seu discurso aos alunos da Uni Sant'Anna que capacidade e sucesso encontram -se em qualquer lugar. Quebrou o tabu das faculdades públicas serem "melhores" e conseguiu convencer os "focas" de que não existe diferença no ensino entre faculdades particulares e não- particulares.

  Formado pela UNESP no ano de 1998 e mestre na área de letras pela Universidade Federal do Paraná, o jornalista tem vasta experiência como professor acadêmico e repórter, já tendo trabalhado como repórter em mídias como "Jornal da Cidade"(de Bauru - SP) e "Gazeta do Povo" (de Curitiba - PR).

  Com descontração e um jeito todo particular e engraçado de ser, Zibordi conquistou os futuros jornalistas e comunicadores com facilidade. Opinou sobre técnicas de escrita jornalística como o famoso LEAD, o conhecido primeiro parágrafo de grande parte dos textos da imprensa onde lê-se todas as informações importantes sobre o assunto discutido, quebrando mais um tabu. Entre outras "polêmicas", falou sobre a língua portuguesa em si e suas dificuldades e mutações, sobre a mídia manipuladora e também sobre a imprensa alternativa.

  Sobre esta última, esclareceu que a técnica do Jornalismo Alternativo é realizada fora do "mundo da imprensa" e que, muitas vezes, está associado a ONGs, correntes políticas, filantropia e a muitas questões opinativas e nada imparciais. Para ele, o objetivo é ético e tem sempre o intuito de construir cidadãos melhores e que participem de maneira ativa da sociedade e suas dificuldades.

  Ao final da palestra, vários alunos de diversos semestres de jornalismo deram depoimentos a respeito do que aprenderam com o debate. "Achei de extrema importância o que ele nos falou sobre a profissão de ser repórter. É legal saber como funciona e a dica de ter um diferencial é essencial para conseguirmos chegar lá. Fora isso, ele é engraçado e consegue transmitir a mensagem de uma forma que a gente entenda; sem muitos termos técnicos e tudo o mais. Adorei.", diz Danilo Viera que atualmente está no segundo ano de jornalismo e pretende seguir na área da reportagem.

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Primeira matéria na revista da "Alvorecer"...
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Pra quem quiser acompanhar melhor meu trabalho para a Associação Alvorecer: http://www.alvorecer.org.br/

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Meu eu, minha madrugada...
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          Tãoooooo surtada que só consigo reparar na luz refletida do abajour no piso claro que cobre o chão da minha sala. Enquanto isso, apóio minha cabeça no braço direito e aprecio modorrentamente o calor do meu moletom velho.

As bolachas recheadas e o terceiro copo de café me fazem companhia enquanto fico aqui aboletada, sentindo-me vazia, triste, rejeitada, “inamável”; uma stalker que se afunda a cada fuçada de orkut, ao descobrir coisas e sentimentos alheios que, no fundo, já sabia que estavam lá, só não tinha visto ainda. Faltou-me coragem pra ver.

         Ao conversar com uma amiga, noto que sou insuficiente. Sempre fui insuficiente. Por quê? O que me falta? Preciso saber qual meu grande erro. Qual gigantesco e terrível crime posso ter cometido pra ser motivo de tantas dúvidas, de tanta desconfiança, de trocas inexplicáveis, de abandonos repentinos, de rejeições incontáveis, de ódio, desprezo, falcatruas, injustiças, traições?

         Nunca engravidei por acidente ou fiz um aborto. Terminei a porcaria do colegial, fiz um curso de línguas; eu nunca matei um parente ou fui amante de homens casados. Nem bater em alguém eu bati. Até recebi sacramentos católicos para a dúvida e espanto de muitos, com exceção do matrimônio e da extrema-unção, claro.

      Bem, tudo poderia ser pior: eu poderia estar roubando, matando, destruindo vidas com mentiras macabras e imperdoáveis. Poderia ser uma puta, ou uma lésbica; uma drogada junkie lifestyle que provavelmente envelheceria solitária e rabugenta com os seus 27 gatos e sem família. 

      A triste e inegável verdade é que: o cansaço e a negatividade estão me alcançando rapidamente e querem saber? Isso não é nada positivo para a minha pessoinha de 1,58 de altura e que, pra minha total infelicidade, possui um coração de 158 hectares.

 

      Tento achar alguma palavra que defina minha atual situação mental; meus pensamentos, essa confusão toda que domina meu cérebro, incessante e loucamente. Não dá! Não existe! Frustração? Zica? Infelicidade? Karma? Preferia estar tirando minhas cutículas com gilete a estar no meio desse furacão sentimental que me arrebata no auge de meus 22 anos.

 

      Poxa, queria meu lado "Bukowski" de volta. Sinto falta dele. Falta de ser louca, irresponsável, mentirosa, fria, sozinha e feliz assim. Mas não! Meu lado adulto surgiu dos bueiros há alguns meses e agora quer tomar conta até do meu coração. Posso ser adulta e responsável sem sentir coisas de adultos? Please !!!

      Ok, não sinto falta do meu lado macabro e perigoso. Apenas sinto medo dessa pessoa nova que substituiu a antiga Lilith porra louca e peçonhenta. Não sei lidar com ela ainda. Parece aquele presente que você tanto queria e, agora que está em suas mãos, te falta o manual para conseguir montá-lo sem fazer muitos estragos.

 

      Mas por um momento até me esconderia de novo na caixinha desbotada e fedendo a cigarro que me acolhia há algum tempo atrás. Era triste às vezes, mas mais seguro. Eu sabia onde estava pisando. Tinha certeza de que tinha deixado todo meu lado humano, sentimental e idiota pra trás. E agora, o que me acontece? De repente surgem vontades, uma paixão de filme hollywoodiano, sofrimento, ciúmes, dor, dúvidas e lembranças que doem e atormentam mais do que técnicas japonesas de tortura ou marmitex de alumínio rasgando meus dedos pequenos e branquinhos.

 

      Estou envelhecendo? Amadurecendo? Enlouquecendo? Capaz. Semana passada tive essa impressão quando peguei umas lingeries adquiridas no ano passado, para experimentar. Coisas com lantejoulas e lycra fluorescente que comprei na empolgação do emagrecimento fugaz. Senti que minhas celulites e meu culote podiam estragar mais aqueles trajes do que um estilete ou até mais que algumas mastigadas do meu elétrico cão. Seria isso motivo para pânico? Seria isso sinal de alguma coisa relevante?

 

      Não costumo ligar pra esse tipo de detalhe, mas hoje? Hoje estou ligando pra tudo! Tudo me faz mal, tudo me causa angústia, tudo me deprime. Choro por qualquer coisa. Consegui me comover com cenas de novela e até mesmo com a letra do forró depressivo que minha querida vizinha faz o favor de ouvir toda santa tarde.

 

      Queria saber mostrar o quanto posso ser transparente, amiga, companheira, amável, engraçada, sexy, fiel, útil, infantil, bonita, inteligente, segura, mas acho que não sou capaz. Ou não querem ver. Ou, vai ver, o mundo está todo torto mesmo e eu não me encaixo nele, como sempre pensei que fosse ser quando crescesse.

 

      O fato principal e inegável é que: não me reconheço. Não me conheço. Não sei se um dia soube quem eu sou, ou era. Sei que hoje sou confusa, sou cega, sou apaixonada, sou inconsequentemente preguiçosa e egoísta, sou uma criança assustada que não conseguiu sair de casa por conta de meia dúzia de pesadelos.
 
      Mas sei também que, acima de tudo, sou real; sincera, cagona, espontânea; livre, mas real. Sou eu. E, mesmo que seja minha única companhia e minha única platéia, levanto-me e bato palmas; por que sou minha; sou eu.

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O espelho no divã.
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              Com estréia marcada para o dia 17 de abril, o mais novo filme nacional “Divã” promete conquistar a empatia do público e dos amantes do cinema brasileiro.


              No próximo dia 17, o filme “Divã”, que conta com um elenco requisitado, estréia nas salas de cinema de todo o país. O filme conta a história de uma professora de matemática, vivida por Lília Cabral, que decide começar uma terapia.  Em suas sessões, a personagem conta fatos importantes de sua vida pessoal e discute consigo mesma as situações vividas e as lições aprendidas ao mesmo tempo em que desabafa suas mágoas e infelicidades.

         O filme, dirigido por José Alvarenga Jr. e com a produção da Brazucah, retrata a dura realidade da infidelidade, as dificuldades de um casamento, o distanciamento dos filhos com o envelhecimento, a amizade verdadeira, a dor de uma perda e todas as fortes emoções que estão presentes na vida de qualquer ser humano.

          Protagonizado por Mercedes, o longa metragem mostra o lado feminino de cada experiência, o poder da intuição de uma mulher, os obstáculos que surgem por conta do envelhecimento e a força que nasce de tudo isso.

          Inspirado na obra literária de mesmo nome, da autora Martha Medeiros, o roteirista Marcelo Saback expõe duras realidades da vida. Mostra que o medo de ser feliz pode ser a causa de muitos transtornos e de muitas frustrações, mas a falta de definição da vida pode tirar pessoas da monotonia e até mesmo transformá-las em aspectos positivos.

 Cartaz do filme.
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A comunicação resgatando valores.
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    A história e o trabalho de uma ONG que, com a comunicação, ajudou na recuperação de um dos bairros mais violentos da capital paulista e de seus moradores.


         Há alguns anos atrás, o Jardim Ângela era o bairro mais temido e evitado da grande São Paulo, com índices altíssimos de criminalidade e considerada pela Organização das Nações Unidas como a região urbana mais violenta do mundo.

         No entanto, ações da comunidade em conjunto com a polícia e entidades governamentais ajudaram a mudar o quadro de horror que cercava o distrito situado na Zona Sul da capital paulistana.

         Um dos responsáveis por essa mudança radical que resultou em uma drástica redução nos índices de criminalidade da região foi a ONG “Papel Jornal”, uma organização não-governamental brasileira sem fins lucrativos criada em 1999, com o intuito de capacitar jovens moradores do Jardim Ângela a escrever e montar um jornal que compreendesse a periferia de São Paulo a partir do ponto de vista dos moradores que lidavam com essa realidade.

         Jornalistas e educadores envolvidos no projeto depararam com diversas dificuldades e dúvidas profissionais e pessoas durante o percurso do “Papel Jornal”. As diferenças eram muitas e muito grandes e, assim, acabavam influenciando na aproximação e rendimento da relação “aluno x educador”. Trabalhar a auto estima de um jovem de periferia foi um dos principais aspectos a serem tratados com extrema cautela e paciência.

         A ONG cresceu e hoje é um sucesso e motivo de orgulho para muitas pessoas. Com cerca de dez profissionais de diversas áreas da comunicação envolvidos, proporciona oficinas de texto, reportagem, fotografia, design gráfico e até mesmo aulas de cidadania. O mais conhecido entre os projetos realizados é o “Jornal Becos e Vielas Z/S - A voz da Periferia” que tem cerca de 4 exemplares por ano e, assim como os outros, é distribuído gratuitamente pelas redondezas da Zona Sul.

         A ONG “Papel Jornal” tem parcerias importantes, como o do PAC (Programa de Ação Cultural) inserida na Secretaria de Estado da Cultura pelo Governo do Estado de São Paulo e conta também com o apoio da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância). A entidade ensina os jovens a serem cidadãos melhores e melhor preparados para o mundo e a vida na cidade grande. Com exemplos e força de vontade, o trabalho de equipe desenvolve a ética, os valores dos jovens e suas famílias, o respeito e preza pela democracia, sempre.
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Equoterapia...
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 A cura sobre quatro patas.

 

 Equoterapia: suas repercussões no tratamento de deficiências diversas e sua contribuição para a medicina alternativa.

 

      A equoterapia ou hipoterapia é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar com o intuito de desenvolver biopsicossocialmente pessoas portadoras de algum tipo de deficiência.

O cavalo é usado como forma de terapia desde 400 A.C., quando Hipócrates utilizou-se do animal para "regenerar a saúde" de seus pacientes.Nos anos 70 a ANDE (Associação Nacional de Equoterapia) foi fundada no Brasil, mas somente em 1997, a equoterapia foi reconhecida como método terapêutico pela Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitacional e pelo Conselho Federal de Medicina.

      Segundo a fisioterapeuta Samira Alves, que também pratica a equoterapia por motivos emocionais e não vive mais sem andar a cavalo, a escolha do animal é um dos principais itens para o método ser bem sucedido. “Tem que ser um animal dócil, de porte pequeno ou médio e, de preferência, idoso. Além disso, o animal não pode ser assustado ou ter vícios negativos, como querer voltar para a baia ou não gostar da presença de outros animais.”.

      A equoterapia é baseada na prática de atividades eqüestres e técnicas de equitação, sendo um tratamento complementar na recuperação e reeducação motora e mental de crianças, jovens, adultos e idosos, além de proporcionar benefícios educativos e sociais. Durante as aulas, os pacientes cantam canções, aprendem técnicas de equilíbrio sobre o animal, usam bolas de fisioterapia para estimular a atividade cerebral e têm contato verbal entre si para desenvolver a fala e noções de sociabilidade.

 Para a veterinária Priscila Toinaki, há 7 anos na área de animais de grande porte, o cavalo é essencial no tratamento de certas doenças, como paralisia cerebral, acidentes vasculares encefálicos, esclerose múltipla, disfunção na integração social e até mesmo atrasos do desenvolvimento psicomotor. “Os eqüinos têm movimentos que são similares aos padrões de movimento humano e que se encontram alterados nas pessoas com problemas motores. Além do fato de que a convivência com animais em geral é comprovadamente eficaz na recuperação psicológica de todo e qualquer ser humano.”

      A equipe responsável por um trabalho de excelência em equoterapia deve ser composta por diversos profissionais em áreas diversas e um local adequado para a prática da equitação é extremamente importante para a segurança dos pacientes. No local, é obrigatória a presença de fisioterapeutas, psicólogos, médicos, pedagogos, professores de educação física, instrutores de equitação, auxiliares-guia e um tratador para manter a saúde dos animais em perfeitas condições.

      Na hípica onde mantem seu cavalo há 6 anos, Maria Luiza, estudante do 4º ano de medicina veterinária, acompanha de perto as aulas de equoterapia realizadas no local e a evolução de cada paciente, em sua maioria crianças de 3 a 9 anos. “ Percebo que a equoterapia funciona como um feedback positivo para a família em relação ao seu investimento. Já vi casos de interação social surpreendentes e crianças que mal abriam os olhos e hoje já falam e movem-se com pouca dificuldade. É mágico, realmente emocionante.”

            Ao contrário do que muitos pensam, o tamanho do animal e sua postura não assustam os praticantes da técnica. É possível notar um enorme relaxamento por parte dos pacientes e, ainda mais, um carinho e interesse enormes pelos cavalos. Ao final de cada aula, que dura em média 1 hora, quem estava em cima do animal normalmente quer levá-lo para passear, ajudar no banho e na escovação do animal e enchê-los de carinho, beijos e agrados. É um trabalho em equipe árduo e demorado mas que, no final das contas, vale a pena.
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Exposição na capital !!!
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 A Espanha invade São Paulo”

  Inspirado em sua paixão pelo país, Leonardo Kossoy, fotógrafo brasileiro, expõe de 22 de janeiro a 22 de março uma série de fotografias e memórias que leva o nome de “Espanhas”. O local escolhido para reunir todos os amantes da fotografia e da cultura espanhola é a Galeria da Caixa Cultural que fica na Av. Paulista, 2083, dentro do famoso Conjunto Nacional, e conta com fácil acesso para quem vem de todas as regiões da capital paulista.

 A exposição retrata, através de fotografias artísticas que fogem do tradicional documental, resquícios da inquisição, do fascismo e dá ênfase ao tradicionalismo espanhol da tourada. Kossoy inovou ao colocar, no próprio chão da Caixa Cultural, adesivos que imitam pisos tradicionais da Espanha e até mesmo a imagem 3D de uma árvore que parece sair do mármore.

 Ao andar pela exposição, o espectador encontra registros fotográficos de Sevilha e Andaluzia, uma sequência fotográfica de uma tourada que está inserida em um “labirinto”, o que dá a sensação de movimento e até mesmo obras que retratam a irreverência e a sensualidade de Pedro Almodóvar, famoso cineasta espanhol.

 Como guia responsável, Ricardo Gimenez, ator de 29 anos, está envolvido emocional e profissionalmente com a exposição. “É deslumbrante. Não canso de ver as imagens e apreciar cada cor ressaltada nas fotos do Kossoy.”, diz o rapaz ao contar sobre seu dia-a-dia no trabalho “Espanhas”.

 Para o “personagem principal” do evento, Leonardo Kossoy, sua intenção era retratar várias visões de um mesmo país. Mostrar a influência árabe, a parte cultural marcante, a política, a sensualidade e principalmente a beleza da Espanha. Para Kossoy, é interessante ficar de fora observando a reação das pessoas, uma vez que todo tipo de público vem apreciar sua obra. “Notei que tem um morador de rua, muito simpático por sinal, que vem diariamente aqui e fica minutos a fio observando o pôster de “Volver”, filme do querido Almodóvar. É especial e gratificante saber que pessoas diversificadas apreciam minha arte. Fico feliz.”.

 Com a produção de Luiz Henrique Amoedo, uma decoração atraente e toda a beleza e significado de um dos maiores acervos fotográficos de Leonardo Kossoy, que expõe regularmente em galerias de Nova York, “Espanhas” é uma celebração da fotografia e, portanto, imperdível.


Lilia Marcondes - MARÇO 2009

“Um papo animal”
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Entrevista com a médica veterinária Priscila Marcondes Toinaki, de 27 anos de idade, formada em 2006 pela FMU, em São Paulo.:

 

Lília Marcondes: Por que escolheu esta profissão?

 

Dra. Priscila Toinaki: Sou apaixonada por animais desde pequena. Sempre me prontificava para cuidar dos animais da casa, dos cães de vizinhos e amigos, toda vez que adoeciam ou simplesmente precisavam de carinho. Sempre pensei no bem estar dos bichinhos.

 

Lília Marcondes: Quais revelações profissionais e pessoais você teve durante o curso?

 

Dra. Priscila Toinaki: Além de descobrir muitas coisas interessantes sobre as diversas áreas da medicina, que nem imaginava que pudessem existir, como a equoterapia que é a mais marcante pra mim, descobri que ajudando os animais e tratando deles eu, indiretamente ajudava as pessoas. A quantidade de patologias humanas que podem ser evitadas através do controle das zoonoses é enorme e importantíssima.

 

Lília Marcondes: Em qual área específica da medicina veterinária você decidiu se aprofundar? Por quais motivos?

 

Dra. Priscila Toinaki: Sempre quis fazer clínica de pequenos (cachorro, gato, etc). É o que a grande maioria almeja quando se decide pela profissão. Até o terceiro ano é tudo muito obscuro, não conhecemos muitas áreas diferentes. Nos anos seguintes sim começamos a ter contato com as específicas e me deparei com caminhos sedutores da medicina como saúde pública, inspeção de alimentos e especializações dentro da própria clínica como diagnóstico por imagem, medicina legal, odontologia e anestesiologia, que acabei inclusive fazendo uma pós graduação na área. Acabei por ficar na clínica mesmo. Ter uma vida em suas mãos é algo mágico e único para mim. Ser responsável por salvá-la é extremamente gratificante.
 

Lília Marcondes: Qual sua posição em relação às práticas da adoção e castração de animais de pequeno porte?

 

Dra. Priscila Toinaki: Apóio sem a menor dúvida. É uma cadeia de benefícios para todos, tem que ser algo obrigatório inclusive. Esterilizando animais evita-se o aumento na quantidade de filhotes nas ruas, o que diminui a população de animais soltos e também no CCA. Sendo assim, menos morrerão inutilmente e a disseminação de inúmeras zoonoses cai abruptamente. Estimulo sempre a adoção. Têm muitos animais precisando de um lar, de cuidados, de carinho. Todos são bons, sem exceção; não precisa ser de raça, ter pedigree e toda essa ilusão de um animal melhor. Eu mesma tenho um cão e um gato adotados. Os amo intensamente e a recíproca é mais do que verdadeira.

 

Lília Marcondes: Como costuma ser a relação médico veterinário X proprietário?

 

Dra. Priscila Toinaki: (risos). Na maioria das vezes é uma relação saudável, boa; mas têm vezes em que tenho problemas sérios com proprietários. Grande parte de donos de animais mente muito por medo de “tomar uma bronca” do veterinário. Eles sabem que deixam a desejar em vários quesitos de cuidados, como alimentação, exercícios físicos e tudo mais. Acabam prejudicando o diagnóstico do animal e isso é péssimo. Uma vez que os animais não falam, temos que poder confiar na palavra do proprietário. Já presenciei inúmeros casos de dermatite ajuda por alimentação deficiente ou errada e até mesmo óbitos por ingestão de chumbinho ou derivados por causa do descuido por parte da pessoa teoricamente responsável pelo bem estar do animal. A confiança é essencial nessa relação e, sem dúvida alguma, lidar com os donos dos pacientes é a maior dificuldade que um veterinário pode ter em sua vida profissional.

 

Lília Marcondes: Para você o que é, em resumo, a medicina veterinária?

 

Dra. Priscila Toinaki: Um amor incondicional que é a razão da minha vida.


Fotos para Revista Host 28
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Fotos que tirei para a Revista Host 28 de OUTUBRO/NOVEMBRO de 2008 . ano 5

 Pág 54 e 55

 
 
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O futuro do jornal impresso.
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  Essa é uma questão que frequentemente perturba a mente de nós, comunicadores, seguida de uma interrogação alarmante. Haverá um futuro para os jornais impressos?

 Com tamanha preocupação e dúvida, nosso colega Ricardo Noblat, escreveu um livro que trata exatamente sobre essa questão: “A arte de fazer um jornal diário”.

 O livro, na realidade, é uma súplica; uma manifestação do jornalismo comprometido com a veracidade dos acontecimentos e as diversas maneiras de se abordar situações cotidianas, para o sensacionalismo e ao descaso que vêm dominando nossos atuais jornais e meios de comunicação em geral.

 Ao mesmo tempo em que a leitura é agradável e o texto repleto de bom humor, o livro aborda assuntos muito importantes e, com seriedade, dá dicas para quem pretende ser um comunicador de excelência.

 É preocupante, no entanto, a situação atual dos jornais impressos. Diversos fatores vêm contribuindo para que, a cada dia, o número de pessoas interessadas nos mesmos, diminua.

 A queda nas participações dos jornais no bolo publicitário e o preço inacessível para muitos, uma vez que estamos num país onde um grande número da população vive abaixo da linha da pobreza, são fatores que não podem ser ignorados.

 Além disso, temos também a péssima mania dos jornais de “bater sempre na mesma tecla”, abordando temas repetidamente e, sendo assim, tirando o interesse do leitor.

 Melhorar o quesito “visual” dos impressos não seria de todo ruim, inclusive. São inúmeras as reclamações a respeito de seu tamanho, sua distribuição, o papel do qual é feito, a famosa “tinta que sai na mão” e a eterna dificuldade em abrir e fechar os cadernos, com suas enormes e desengonçadas folhas.

 Todavia, o grande rival dos jornais impressos não consta nos tópicos abordados acima. Com uma força avassaladora e praticamente invencível, a internet é a comunicação bi- direcional que se faz presente nos piores pesadelos dos comunicadores.

 Com a era da digitalização e da cibercultura, a interconexão tomou conta do pedaço. Com múltiplas colaborações e o foco no interesse do internauta, a internet consegue ser a favorita, sempre.

 Sua capacidade de memória e armazenamento, a agilidade e a rapidez com que conseguimos pesquisar assuntos de nosso interesse, a quantidade infinita de informações encontradas e, até mesmo, as etapas que podem ser ignoradas ao se postar um texto, uma matéria ou um comentário na rede, fazem desse grande novo meio de comunicação, um objeto extremamente sedutor.

 O modelo unilateral tradicional entre o emissor e o receptor faz parte do passado. Com isso, temos que nos esforçar para que os jornais impressos não sejam extintos ou ignorados e, para isso, temos que fazer nosso melhor.

 O sucesso virá com nossas habilidades e esforços incessantes, com a prática da escrita e, principalmente, com nosso empenho em relação à nossa gramática e suas novas regras.

 Outro fator importante é a apuração dos fatos, sempre. Em qualquer situação, precisamos checar a fonte. Ter certeza daquilo que vamos transformar em texto público, para não corrermos riscos de distorcer a realidade ou mentir a respeito de algo. Temos isso a nosso favor. Afinal de contas, a internet com sua necessidade de rapidez, acaba cometendo inúmeros erros de toda e qualquer espécie.

 Ver e ouvir o óbvio não nos ajudará a nos destacarmos do restante dos jornalistas e deixar com que as pessoas possam interpretar fatos ou tirar conclusões por si próprias, também não é o ideal.

 Percamos o medo do fato real. Percamos a arrogância de achar que sabemos tudo sempre.

 Preocupemos-nos mais com a arte do jornalismo diário !!!

 


- Roteiro de Telejornalismo -
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Roteiro feito por mim no último dia de curso! ;)
SINDICATO DOS JORNALISTAS DE SÃO PAULO:

IRON MAIDEN NO BRASIL EM 2009:

 

SOBE SOM - IMAGENS DO ÚLTIMO SHOW NO PAÍS, NO PARQUE ANTÁRTICA, EM 02 DE MARÇO DE 2008. (PÚBLICO CANTANDO A PLENOS PULMOES O REFRAO DE FEAR OF THE DARK.).

 

OFF - IMAGENS DO ÚLTIMO SHOW NO BRASIL + BG + TEXTO:

 

 EXATAMENTE APÓS UM ANO DESDE SUA ÚLTIMA VISITA AO PAÍS, O IRON MAIDEN VOLTA COM MAIS UMA TURNÊ INÉDITA / SÃO MAIS DE TRINTA ANOS DE CARREIRA E ALGUNS INTEGRANTES JÁ SÃO SESSENTÕES / OS “VOVÔS DO HEAVY METAL” TRARÃO NO REPERTÓRIO, CLÁSSICOS DA DÉCADA DE 80, ALÉM DE MÚSICAS NÃO TAÕ COMUNS NOS SHOWS DOS MÚSICOS INGLESES.

 

EM ENTREVISTA EXCLUSIVA, O VOCALISTA DA BANDA, BRUCE DICKINSON, REVELA QUE A VONTADE DE RETORNAR AO BRASIL ERA GRANDE.

 

SONORA - BRUCE DICKINSON – VOCALISTA / IRON MAIDEN

"NÃO É SEGREDO QUE AMAMOS TOCAR NO BRASIL. QUANDO OLHAMOS E VIMOS QUE HAVIA A OPORTUNIDADE DE VOLTARMOS NESTA ETAPA FINAL PARA TOCAR EM LUGARES ONDE NÃO TÍNHAMOS ESTADO E REAVER NOSSOS MAIS ENTUSIASMADOS FÃS, NÃO TIVEMOS NENHUMA DÚVIDA”.

 

O VOCALISTA TEM UMA MISSÃO A MAIS DO QUE SIMPLESMENTE COMANDAR AS APRESENTAÇÕES NO PAÍS / CABERÁ A BRUCE DICKINSON TRAZER, LITERALMENTE, OS COMPANHEIROS DE PALCO COM TODA SUA PARAFERNÁLIA AO BRASIL / AFINAL DE CONTAS, ELE É O PILOTO DO AVIÃO DA BANDA/

 

SONORA: BRUCE “ESSE É UM HOBBIE QUE EU TENHO. ACHO QUE NÃO CONFIAVA MUITO NOS OUTROS PILOTOS TAMBEM” (RISOS).

 

OFF: NO AUTÓDROMO DE INTERLAGOS, NA CAPITAL DE SÃO PAULO, UMA FILA ENORME CHAMA A ATENÇÃO DE QUEM PASSA POR AQUI. O MOTIVO? OS INGRESSOS PARA O SHOW DO IRON MAIDEN, QUE CUSTAM ENTRE R$ 140,00 E R$ 350, 00, JÁ ESTÃO À VENDA / TEM FÃ QUE PREFERIU SE ADIANTAR E GARANTIR SUA PRESENÇA O QUANTO ANTES.

 

POVO FALA –

 -RAPAZ DE BRANCO: ESTOU AQUI HÁ OITO HORAS, MAS NÃO SAIO SEM MEU INGRESSO.

 

-MENINA DE VERMELHO: QUERO GARANTIR LOGO, PRA NÃO CORRER RISCOS. VOU A TODOS, NÃO PERCO UM.

 

PASSAGEM – AQUI EM LONDRES, NO ESTÚDIO PARTICULAR DE UM DOS MEMBROS DA BANDA, A GENTE ACOMPANHA UM POUCIO DO ENSAIO DO IRON MAIDEN QUE PROMETE LEVAR O PÚBLICO À LOUCURA COM SEU SOM PESADO E CONTAGIANTE / (SAI E FOCALIZA NA BANDA – COMEÇAM A TOCAR “MURDERS IN THE RUE MORGUE”)


Um dia a ser lembrado !!!
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Um brinde...
Um brinde à tristeza que inunda minha alma hoje.
Um brinde à vida por nos presentear com pessoas iluminadas e inesquecíveis.
Um brinde à morte...por levar o sofrimento de uns...por deixar uma dor sem fim naqueles que por aqui ficam.
Um brinde à minha mãe...por ser minha mãe, por ser especial e por estar viva, ainda que somente dentro de mim...

Silent is the rain
Washing pain away
Flowers turning grey
No more tears to cry
Nothing more to hide
No more waysting time

Goodbye to you
Goodbye everyone
Goodbye everything
Goodbye brave new world
Carry the morning
I'll see you there, somewhere

No more struck by words
Or the sound of birds flying
No regrets or anger
No more secret smiles
Nothing more to bring
No more songs to sing
I'll meet you there.somewhere

R.I.P

2 anos sem vc...
mais parecem séculos!
te amo eternamente!

s2

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Coluna Gastronômica
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Noitada completa ao estilo Bourbon.

 

“Manifesto Bar” oferece som ambiente de qualidade, regado ao melhor dos whiskeys.

 

 

 Localizado no Itaim Bibi, bairro nobre da capital paulistana, o Manifesto Bar está há mais de dez anos em atividade e é considerado por muitos, parada obrigatória de músicos estrangeiros e das mais variadas bandas cover e grupos nacionais de renome no cenário do Rock n´Roll, Hard Rock e Heavy Metal.

 Com um ambiente aconchegante, um palco individual e vários ambientes distribuídos em dois andares, o bar já atraiu grandes nomes da música como Scorpions, Iron Maiden, Red Hot Chili Peppers e, recentemente, a banda sueca Crashdiet.

 A diferença mais notável, porém, reside no moderno e agradável espaço para jogos que conta com iluminação indireta, mesa de bilhar oficial, dardos e dois bares completos e repletos de drinks fenomenais, elaborados com as melhores bebidas do mundo.

 Quem cuida do bar principal é o barman Renan Vieira, “importado” de Porto Alegre pelos proprietários.

 O gaúcho é também o responsável pela famosa bebida Fire Explosion (R$15,90), atração dos freqüentadores da casa noturna.

 

 O drink, que de fato é uma explosão etílica de sabores, é composto pelas bebidas de maior teor alcoólico que a casa possui.

 Servida numa taça tipo martini, Licor de cacau, Amarula e Contreau são cuidadosamente misturados a uma generosa dose de Absinto. No arremate, surge o clássico whiskey Jim Beam, produzido em Kentucky há mais de duzentos anos, tornando a “mistureba” ainda mais saborosa e atraente.

 Nas raras opções de preço mais razoável, aparece a cerveja clássica e amarga Heineken (R$8,00).

 Vale a pena conferir.

 

Manifesto Bar, Rua Iguatemi, 36, Itaim Bibi, ( 3168-9595 (400 lugares). 21h30/6h00 (qui a dom). Cc.: todos. Estac. c/ manobrista (R$ 10,00) www.manifestobar.com.br
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Resenha sobre o curta "Ilha das Flores"
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O curta-metragem dirigido por Jorge Furtado em 1989, é um ácido retrato da mecânica da sociedade de consumo.

  Acompanhando a trajetória de um simples tomate, desde sua plantação até ser jogado fora, “Ilha das Flores” escancara o processo de geração de riqueza e as desigualdades que surgem no meio do caminho.

 Isso fica claro, após tantas repetições de como o homem é dotado de inteligência e outras características físicas que o tornariam mais desenvolvidos e até mesmo superiores aos outros seres vivos do planeta Terra e de repente o telespectador se depara com uma terrível mostra de “falta de inteligência” ou humanidade.

 O tomate, que inicialmente é plantado, comprado e descartado, se encontra em meio a toneladas de lixo orgânico. Restos que não foram utilizados ou que simplesmente não podiam ter sido utilizados devido a seu estado de decomposição.

 Todo esse lixo é servido a porcos não dotados de inteligência e após os animais se fartarem, é então a vez de seres humanos escolherem quais restos de comida comerão para sobreviver. Sim, é um choque, um ultraje, uma aberração!

 E assim, se vê na telinha a desumanidade que toma conta cada vez mais dos homens. O que levaria alguém a alimentar animais antes de alimentar mulheres, crianças, idosos? A tão desprezível “falta de riqueza” que domina o coração da sociedade em que vivemos.

 No entanto, o curta de 13 minutos é excelente e não pode passar batido. Com diversos prêmios mundiais, como Urso de Prata no Festival de Berlim de 1990 e Prêmio do Público na Competição "No Budget" no Festival de Hamburgo de 1991, é com todo mérito, considerado a obra máxima do neo-ultra-violentismo brasileiro. E dessa vez, nem os católicos apostólicos romanos possuidores de polegares opositores poderão dizer o contrário.



O que não queremos ver.
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 O longa-metragem “Ensaio sobre a cegueira” tem recebido críticas positivas e negativas pelo mundo inteiro e é um dos grandes favoritos segundo a indústria cinematográfica. Inspirado no livro homônimo do escritor português José Saramago, prêmio Nobel de Literatura, publicado em 1995, o filme já é recorde de bilheteria no país.

 A adaptação da obra ficou por conta de Don McKellar e a direção do filme ficou nas mãos de um dos nossos gênios do cinema brasileiro, Fernando Meirelles.

 A filmagem foi feita grande parte na cidade de São Paulo. Podemos ver diversas locações famosas durante o filme, além da importante participação da atriz brasileira Alice Braga.

 Com uma história e um roteiro complexos, o filme obriga a quem o assiste a exercitar sua imaginação para as situações que o comodismo e a frieza da vida nos impedem de ver.

 Tudo começa quando um homem fica cego, inexplicavelmente, em meio à loucura do trânsito. A cegueira inexplicável e sem motivo aparente se alastra rapidamente. Grande parte da população fica cega e os "infectados" pela chamada de “doença branca” são prontamente colocados em quarentena em um alojamento.

 No filme, portanto, a "cegueira" assume uma condição muito mais ampla do que a "simples" perda da visão, logo a narrativa se desenvolve através da interação das pessoas diante dessa situação. Aspectos como a moral, o orgulho, a democracia, o racismo, a união e o sacrifício acabam ganhando contornos dramáticos.

 Os personagens não possuem nomes, sendo identificados por suas profissões ou características físicas e rapidamente a luta pela sobrevivência se torna intensa, com pessoas tentando ser melhores que outras ou se aproveitando das mesmas.

 Apenas uma mulher em meio a todas essas pessoas enxerga e passa a ser a líder e a esperança de todos. Ao final do filme, a “cegueira” vai passando e a vida então volta ao normal. Mas fica um questionamento interno martelando em nossas cabeças. Será que estamos nos fingindo de cegos diante dos problemas do mundo? Existe uma abordagem positiva a partir do momento que aquelas pessoas passam a reconhecer a verdadeira beleza da vida e das coisas, tudo aquilo pelo qual se vale à pena lutar, viver e enxergar, mas não se consegue esquecer das dificuldades, da maldade e da “cegueira” coletiva e metafórica que nos envolve atualmente.

 Nas mãos de Fernando Meirelles e sua equipe, "Ensaio Sobre a Cegueira" torna-se uma experiência sensorial incômoda e marcante equilibrando a beleza da arte com a podridão dos temas que explora, além de contar com um ótimo elenco. 

 Vale muito assistir a esse já clássico cinematográfico. E fica a mensagem:

 

"Sua visão do mundo nunca mais será a mesma".


Psicanálise de "Alice no País das Maravilhas" !
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 Não. Não existe absolutamente nada de infantil no famoso livro adaptado, desenhado e exibido pela Disney.
 “Alice no País das Maravilhas” é um temeroso e complexo clássico de Lewis Caroll que, se comparado com relatos e experiências cotidianas, tem tudo pra ser uma longa e fabulosa viagem de LSD.
 O autor brinca com nosso bom senso e sanidade o tempo inteiro. Desde o começo, se faz presente o mito de Chronos, do tempo, representado pelo coelho branco e idoso que está sempre com pressa, correndo. E uma Alice que passa a segui-lo sem nunca alcançá-lo.
 Com a aparição do gato de Cheshire, que não só tem o hábito de aparecer e desaparecer subitamente, como muitas vezes deixa para trás o seu sorriso marcante, podemos fazer uma relação direta com um dos alter egos de Alice.
 Ele a instiga a tomar decisões diferentes das que ela tomaria normalmente, criando dúvidas em sua cabeça e levando-a a explorar novas situações.
 Com isso, fica bem clara a fase de “transição” em que se encontra a menina, que está passando da infância para a adolescência e experimentando, muitas vezes com medo e sofrimento, a vida de adulta.
 Tem também a analogia do “chá das cinco”, famosa tradição britânica, que ficou muito bem empregado como uma crítica a Inglaterra. Ainda mais quando se trata de um provável “chá de cogumelos alucinógenos” oferecido por um senhor cujo nome é “Chapeleiro Maluco”. Afinal de contas, quem o bebe fica extremamente empolgado, rindo ininterruptamente e não fala ou faz coisa com coisa.
 Vem então uma das cenas mais indiscretas e perturbadoras do suposto desenho “infantil”.
 Alice começa a fumar em um narguilé, oferecido por uma enorme lagarta e o fumo, que sem sombra de dúvidas trata-se de ópio ou haxixe, é o que ajuda Alice a fazer uma relação referente à problemática de seu tamanho. Logo após alguns tragos, a menininha passa a indicar um cogumelo (alucinógeno, com certeza) como solucionador de tal situação.
 Alice entra então em uma floresta onde nada, inclusive ela, tem nome algum. Essa cena levanta o problema da correspondência e o fato de que não podermos ter certeza nenhuma de que os nomes que damos às coisas correspondem ao que elas são de fato.
 Vemos também o senso de justiça de Carlos Magno presente no Rei de Copas e a loucura exacerbada de sua Rainha, no baralho, representada por Judite, uma personagem bíblica, que retrata a história de Arfaxad, rei dos medos e que justifica a ira e a força empregadas na famosa frase “Cortem-lhe a cabeça!”.
 Todavia, se como o Gato de Cheshire afirma "somos todos loucos aqui", farei a loucura de tentar tirar três conclusões a respeito das histórias de Alice.
 Ou Carroll zomba de nossas tentativas para construir sistemas de pensamento que partam da nossa existência como seres humanos ou nos leva a pensar que o fracasso do projeto humanista e racionalista nos lança na completa dependência de um Deus ou uma força maior.
 Ou talvez, ele tenha feito apenas um uso demasiado de substâncias alotrópicas e desabafado sua “viagem astral” através de um lápis e algumas folhas de papel.

Infração da integridade
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  O que para alguns é caso de higiene ou até mesmo gosto estético, é violação de direitos para outros.
  Na última terça feira, as antigas unidades da FEBEM, hoje chamadas " Fundação Casa", foram proibidas de raspar os cabelos dos internos.
  Nunca havia pensado em alguma função prática que justificasse o ato de se raspar o cabelo de alguém.Seria para economizar em gastos com shampoos? Ou seria mais uma maneira de fazer os adolescentes internados se sentirem ainda mais excluídos da sociedade ou, até mesmo, mais "iguais" entre si; marginais?
  Quem defende tal atitude desnecessária e me arriscaria até mesmo a dizer desumana, argumenta e afirma com afinco que a medida tomada é meramente higiênica.
  Dizem até que alguns detentos pedem para ficar com a cabeça careca, afirmação duvidosa na minha opinião.
  Dificilmente a fiscalização para o cumprimento da medida será firme e provavelmente não tentarão evitar as multas de 20 salários mínimos por dia, pena para quem infringir tal lei.
  Afinal de contas, no país em que estamos,somente alguns marginais são punidos e apenas algumas leis cumpridas.
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~ Crônica sobre um passado presente!
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  Acordei! Senti meu rosto inchado, quente. Alguns instantes depois, notei que estava úmido e que minha respiração estava ofegante. Estava chorando!

  Uma avalanche de lembranças e sentimentos tomaram conta de mim meio a uma turbulência mental que não me deixava parar de oferecer lágrimas e mais lágrimas ao mundo.

  Lembrava-me, naquele momento, de ocorridos cotidianos. Banais talvez para uns, mas para mim, responsáveis pela criação do meu caráter, de minhas saudades, da minha alma.

  Retornei há alguns anos passados, como se minha infância não estivesse tão distante de mim.

  De repente estava no quarto de minha antiga casa na Zona Norte de São Paulo. A cama de metal, branca com pontas douradas e um edredom acinzentado com um desenho da “Minnie” estampado, que foi meu companheiro de sonhos e pesadelos até rasgar-se por completo.

  Lembrei-me do tormento que era acordar com o som estridente e irritante de um antigo despertador de galo que ficava no quarto de meus pais, da alegria de sair da aula após o último sinal e ver um dos dois me aguardando no portão do colégio. Da ansiedade com que passava minhas tardes e que tomava conta de mim diariamente, desejando que chegassem logo do trabalho e da felicidade que era para mim, ouvir o barulho dos carros engatando a ré e entrando na garagem.

  Era como um ritual para o meu coração. Começava com o som do motor sendo desligado, o portão de ferro então era fechado, o arame em forma de “S” passado por ele e finalmente depois de uma longa espera, o molho de chaves tilintava, anunciando que eles estavam em casa.

  Lembrei-me também de nossas viagens ao Rio de Janeiro. Mamãe fazia um patê delicioso com ingredientes naturebas e alguma maionese. Recheava pães e mais pães de forma com ele e então seguíamos para a estrada.

  Íamos brincando de “a palavra é” pelo percurso todo. Íamos cantando, rindo e às vezes se estressando com os caminhões na rodovia ou discutindo por algum motivo estúpido. Quando passávamos por uma ponte de pintura desbotada, onde havia uma placa alertando sobre a fronteira Rio – São Paulo, tudo parava dentro do carro. Um silêncio modorrento tomava conta do ambiente e então, quando o aviso ia ficando para trás, mamãe explodia numa felicidade contagiante e batia com as mãos no teto do carro gritando “Êêêêê, estamos no Rio de Janeiro”!

  Ocorreu-me agora, que o patê citado anteriormente, era também motivo de reuniões de família. Algumas vezes eu cismava em jantarmos fora. Aí então, mamãe contornava a situação de maneira discreta, me chamava para ajudar a picar azeitonas e fazer a receita com ela. Papai então pegava uma mesinha de metal que eu usava para desenhar e fazer minhas lições da escola. Era verde musgo e tinha um adesivo do “Calvin” que já se desfazia, em seu centro.

  A colocava em nossa garagem, a cobria com uma toalhinha e jantávamos em meio a conversas fiadas e ao som de uma boa bossa nova.

  Passamos muitos finais de semana no clube da APM, na Serra da Cantareira. Costumava ter aulas de equitação por lá e muitas vezes, passávamos o dia inteiro por lá. A comida do restaurante era uma delícia. Lembro-me que meu “a la minuta” era batata frita, arroz e um bife à parmegiana muito suculento, coberto com muito queijo prato.

  Tinha também uma piscina genial. Enorme, bonita, com águas límpidas e muito geladas, que vinham de uma cachoeira próxima ao clube. Passei muitas tardes nadando, pulando, mergulhando e brincando de baleia com meu pai por baixo das águas. Que saudades!

 

  Mas quero falar de minha mãe. Tenho sonhado muito com ela, lembrado, sentido e pensado nas coisas que fazíamos juntas. Coisas muitas vezes ínfimas, mas que a tornaram uma grande mulher, a meu ver.

  Poderia falar das chatices que envolvem todo e qualquer ser humano. Poderia falar de sua teimosia, de seu jeito “mandão” de ser, de como me fazia ficar horas trancafiada em meu quarto decorando as malditas tabuadas. De quando não me deixou comprar o disco do “Mamonas Assassinas” por não achar suas letras e seu palavreado chulo, adequados para sua filhinha mimada, ou das vezes em que se irritava comigo por enfiar minhas botinas na água da piscina de plástico.

  Quero falar de sua grandiosidade. De seus ensinamentos, de seus conselhos, de suas conversas, de sua dedicação e de seu amor incondicional pela minha pessoa, talvez desmerecida de tanto.

  Quero falar sobre a mãe protetora, amiga, companheira. Dona do maior e mais belo sorriso do planeta. Portadora de uma força incrível, capaz de superar situações e doenças graves com um riso no rosto, piadinhas, trabalho, vitaminas e muitas aulas de tango. Ah, que alma gigante tinha minha mãe. Sempre disposta a ajudar quem quer que fosse, sempre fazendo minhas vontades, sempre me fazendo surpresas, sempre feliz, sempre criança.

  Os natais que passei ao seu lado foram os melhores de minha vida. Montava, já em novembro, uma árvore abarrotada de enfeites, luzes e magia, de fazer inveja a muito americano tradicionalista. Sabia escolher os presentes certos, como se pudesse ler minha mente. Talvez, de fato, pudesse.

  Na manhã de 25 de dezembro, sempre me acordava com uma fita K7 repleta de músicas natalinas. Entrava em meu quarto gargalhando, cantando junto as canções, com um presente na mão e sempre, sempre com aquele sorriso contagiante.

  Posso sentir seu perfume ainda agora. Um cheiro suave, adocicado, envolvente. Poderia passar horas e horas abraçada em seu pescoço, sentindo aquele aroma delicado tocando meu nariz, sua pele quente e seus ombros magros balançando com as risadas que tanto dávamos juntas.

  Nossos últimos anos foram pacíficos. Costumávamos brigar muito quando eu era mais jovem. E sempre nos amamos com a mesma intensidade. Sempre fomos teimosas, ranhetas, cricas, iguais.

  Adorava dormir ao seu lado. Tínhamos uma espécie de ritual do sono. Costumávamos assistir televisão até tarde da noite. Víamos muitos desenhos, filmes da Disney, cantávamos as musiquinhas dos filmes e inventávamos coreografias toscas, somente para rirmos feito duas crianças tontas.

  Quando fechava a porta do quarto, lembro-me de sempre me atirar na cama em cima dela. Constantemente ficávamos uns bons minutos trocando cócegas e mais cócegas e mais alguns, para nos recuperarmos de tanto riso.

  Depois disso, era a hora da “palavra-cruzada”. Nossa como eu adorava adivinhar e até mesmo inventar palavras com ela. Era hilário quando roubava seus óculos e ela não conseguia enxergar a folha para escrever. Era meu jeito de roubar o livrinho de suas mãos e escrever algumas bobagens nos quadradinhos.

  Os únicos dias em que não a vi sorrir foram seus últimos. Os apetrechos hospitalares e o coma a impediam de tal feito.

  Nos horários de visita, procurava fazer brincadeiras com ela. Cantar nossas músicas, contar as nossas piadas.

  Dizem que muitas vezes, pacientes em coma sabem o que está acontecendo em volta deles. Então fui forte. Não chorei um segundo sequer ao seu lado. Ela não merecia isso.

  Dias antes, ela havia me pedido algo. Um favor, caso ela falecesse. O fiz.

  O natal no mês seguinte foi o menos colorido de minha vida. A árvore estava montada, as luzes acesas, as caixinhas de música ligadas, os presentes comprados, o cartão escrito. Mas não tinha a minha mãe.

  Não havia mais luz, mais alegria, mais sorrisos, mais músicas natalinas e muito menos motivos para comemoração.

  Nada nunca mais foi ou será igual. Minha amada mãe levou com ela um pedaço de mim. Talvez o pedaço mais importante, mais sincero, mais pessoal.

  Tem dias em que não sei quem sou. Tenho dúvidas, muitas dúvidas. Mas então me lembro dela e de suas palavras e alguma inspiração retorna. Alguma esperança chega até mim.

  Talvez um dia, com muita sorte ou esforço, consiga ser metade da mulher que ela foi. Talvez um dia consiga recuperar uma parte do que me foi levado, ou até mesmo consiga rimar e cantar novamente.

   E sim, com toda a certeza, posso dizer que minha mãe foi muito mais do que um ser iluminado ou uma pessoa especial. Era minha mãe!

 


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